Sociedade e revolução
Vieux
  (#1 (permalink))
Le virtuel m'habite...
setubal is on a distinguished road
 
Avatar de setubal
 
Déconnecté
Messages: 2 616
Date d'inscription: mars 2005
Localisation: Pas loin...
Âge: 30
Par défaut Sociedade e revolução - 25/11/2007, 21h18

A seguir à celebração festiva e popular do 25 de Abril e do 1.o de Maio de 74, uma onda de contestação e agitação social e económica, especialmente nos grandes centros de Lisboa e Porto, caracterizou o primeiro período de revolução (74/75) com ocupações de casas e empresas, nacionalizações e reforma agrária.
A 8 de Maio de 1974 foi ocupado o Bairro Social de Chelas. Os ocupantes exigiram à Junta de Salvação Nacional a legalização da situação de facto. Embora a Junta de Salvação Nacional, em comunicado, informasse que não permitiria mais ocupações de casas, rapidamente se foram constituindo «comissões de moradores» nos bairros de lata em Lisboa e nos bairros camarários, no Porto, sob a influência do PCP e MDP/CDE e só numa semana são ocupadas 2000 casas.
Às «comissões de moradores» juntam-se as «comissões de trabalhadores» apoiadas no Documento-Guia Povo/MFA, que propunha a edificação do «poder popular».
A realidade social da ocupação de casas estende-se às casas particulares; alguns retornados, que vão chegando de África, juntam-se às manifestações («casas sim, barracas não») e os governos vêem-se obrigados a tomar medidas. O Decreto-Lei n.o 445/74, de 12 de Setembro, estabelece novas regras a favor dos inquilinos e o VI Governo Provisório inclui no seu programa um plano de desocupação dos prédios ilegalmente ocupados.
Mas de dimensão social e económica mais profunda foi a onda de conflitos nas empresas. Desde empresas industriais, extractivas, vidros, cimentos, químicas, petróleo, metalúrgicas, construção, obras públicas, electricidade, gás e água até empresas de serviços como banca e seguros, o balanço é de mais de cento e cinquenta conflitos.
As formas de luta vão desde manifestações de rua, sequestro de pessoas e bens, greves parciais e totais e ocupação das empresas. Entre 25 de Abril e 1 de Junho de 1974 são ocupadas 20% das empresas onde os conflitos tinham surgido, motivados ora por atraso no pagamento de salários, ora por retirada de material pelos donos, tentativas de despedimento, etc.
O poder político condena estas formas de luta e tanto o MFA como os diversos partidos políticos apelam à moderação no uso da greve. Como resposta às reivindicações, o salário mínimo nacional é fixado em 3300$00, em 26 de Maio de 1974.
Mas se, no início, as reivindicações são mais de carácter social e dinamizadas por comissões de trabalhadores, num segundo período (Janeiro a Março de 1975) estas dirigem-se para a exigência de saneamentos nas hierarquias superiores das empresas e, muitas vezes, enquadradas pelo PCP e a Intersindical, como se revela pela organização de manifestações a 14 de Janeiro de 1975. Está aberto o caminho tanto para o aumento das «empresas em autogestão» como para a execução do plano de nacionalizações. A primeira experiência de autogestão, «a prática de actos de gestão considerados indispensáveis à sobrevivência da empresa», assumida pelas comissões de trabalhadores e credenciadas por autoridades militares ou civis, aconteceu a 17 de Maio de 1974 numa empresa de publicidade de Tavira, mas chegou a atingir 937 empresas.
O Decreto-Lei n.o 406-A/75 sobre a futura gestão das terras a expropriar (Reforma Agrária) apela mesmo «à iniciativa das lutas locais das classes trabalhadoras» e é o ministério da Agricultura que passa credenciais para actos de gestão mínimos nas «herdades colectivas» e pré-cooperativas «onde as comissões de trabalhadores substituem os proprietários».
A maior parte desta movimentação social, que abrange principalmente o operariado, a pequena burguesia assalariada e o operariado rural do Alentejo, começou muitas vezes duma forma espontaneamente irregular, mas foi sendo enquadrada pelo PCP e Intersindical, pelo menos até 25 de Novembro de 1975.


\\\|///
\\ - - //
( @ @ )
______________________OOo-(_)-oOOo_____________________

"La seule chose promise à l'échec est celle que l'on ne tente pas"
  Envoyer un message via MSN à setubal  
Digg this Post!Add Post to del.icio.usBookmark Post in TechnoratiFurl this Post!Spurl this Post!Reddit! Wong this Post!
Réponse avec citation
Publicité
Réponse

Liens sociaux

Outils de la discussion
Modes d'affichage

Règles de messages
Vous ne pouvez pas créer de nouvelles discussions
Vous ne pouvez pas envoyer des réponses
Vous ne pouvez pas envoyer des pièces jointes
Vous ne pouvez pas modifier vos messages

Les balises BB sont activées : oui
Les smileys sont activés : oui
La balise [IMG] est activée : oui
Le code HTML peut être employé : non
Trackbacks are oui
Pingbacks are oui
Refbacks are non
Navigation rapide

Discussions similaires
Discussion Auteur Forum Réponses Dernier message
Economia e revolução setubal A democracia (1974-~) 0 25/11/2007 20h50
A modernização da sociedade setubal O estado novo (1926-1974) 0 25/11/2007 19h41
A revolução liberal de 1820 setubal Do liberalismo ao fim da monarquia (1820-1910) 0 25/11/2007 17h56
A revolução de Setembro setubal Do liberalismo ao fim da monarquia (1820-1910) 0 25/11/2007 17h55
A sociedade rural e a sociedade urbana setubal Da dinastia de avis ao império (1383-1580) 0 24/11/2007 00h30





 
Powered by vBulletin® Version 3.7.4
Copyright ©2000 - 2008, Jelsoft Enterprises Ltd.
Search Engine Optimization by vBSEO 3.2.0
Version française #18 par l'association vBulletin francophone
vBulletin Skin developed by: vBStyles.com