Zurara, Gomes Eanes de (1410 -
1492)

Cronista português, substituiu Fernão
Lopes nos cargos de cronista oficial da
corte e guarda-mor do arquivo da Torre
do Tombo, em 1454. Foi, desde 1451,
responsável pela livraria real.

São da sua autoria a Crónica da Tomada
de Ceuta ou Terceira parte da Crónica de
D. João I (1450, sendo as duas primeiras
partes da autoria de Fernão Lopes), a
Crónica dos Feitos da Guiné (1453), a
Crónica de D. Pedro de Menezes (1463) e
a Crónica de D. Duarte de Menezes (1468).

Zurara era filho ilegítimo de um cónego e
pensa-se que a sua formação tenha sido
feita, já tardiamente, na corte do rei D.
Afonso V. Foi cavaleiro da Ordem de
Cristo e comendador de Alcains, da
Granja do Ulmeiro e de Pinheiro Grande.

As suas crónicas diferem
substancialmente das do seu antecessor,
Fernão Lopes. Por um lado, as condições
políticas haviam sofrido alterações: o
reinado de Afonso V marca um certo
regresso a uma mentalidade feudal; as
crónicas de Zurara são, antes de mais,
elogios de grandes senhores (por
exemplo, do infante D. Henrique ou de
Duarte e Pedro de Menezes), e não tanto,
como as de Fernão Lopes, frescos de uma
época, retratos históricos das diversas
partes que nela intervieram, incluindo o
povo. Por outro lado, os seus métodos de
investigação divergem também dos de
Fernão Lopes: em vez do confronto de
diferentes fontes escritas, Zurara recorre
sobretudo ao testemunho oral dos
protagonistas dos acontecimentos
relatados. Embora historicamente
rigorosa, falta ao seu trabalho uma visão
de conjunto. O seu estilo revela já traços
da cultura classicista e erudita do
Renascimento.