Zenha, Francisco Salgado (1923 -
1993)

Advogado e político. Licenciado em Direito
pela Universidade de Coimbra, foi o
primeiro aluno eleito para presidir à
Associação Académica de Coimbra
durante o período designado por Estado
Novo. Ocupou o cargo, em 1944, para ser
demitido poucos meses depois por ter
recusado participar numa manifestação de
apoio ao regime.

Foi um dos fundadores do MUD-juvenil
(Movimento da Unidade Democrática)
criado em 1945. Destacou-se por uma
oposição coerente ao regime salazarista,
o que lhe valeu algumas temporadas na
prisão sob a acusação de práticas de
actividades subversivas. Apoiante da
candidatura do general Norton de Matos à
presidência, conheceu Mário Soares nessa
altura, vindo a ser um dos membros
fundadores do Partido Socialista (PS). Em
1959, apoiou a candidatura do general
Humberto Delgado, tendo feito parte de
vários movimentos de resistência à
autoridade vigente.

Defendeu muitos acusados de actividades
contra o regime e o colonialismo. Depois
do 25 de Abril de 1974, destacou-se no
processo de transferência de poder dos
militares do MFA para os civis eleitos. Foi
ministro da Justiça no I e II governos
provisórios. Fez parte da equipa que
negociou a revisão da Concordata com a
Santa Sé e que conduziu à legalização do
divórcio.

Voltou a ser ministro das Finanças entre
1975 e 1976. Entre 1972 e 1984, fez parte
da direcção do PS, tendo sido presidente
do grupo parlamentar. Em 1980, entrou
em confronto político com o seu amigo
Mário Soares por causa do apoio, ou não,
ao candidato Ramalho Eanes. No ano
seguinte, a sua moção foi derrotada pela
de Mário Soares. Em 1985, entregou o
cartão de militante do PS em virtude da
sua candidatura à presidência da
República, não chegando a passar à
segunda volta. Depois desta derrota,
reduziu ao mínimo a sua intervenção
política. Em 1988, publicou o livro As
Reformas Necessárias, que constitui uma
súmula das ideias que protagonizou na
sua campanha presidencial.