Verde, José Joaquim Cesário (1855 - 1886)
Poeta português, natural de Caneças (Loures). Após a instrução primária, passou a trabalhar nos negócios familiares, sendo o seu pai dono de uma loja de ferragens em Lisboa e de uma quinta em Linda-a-Pastora, nos arredores da capital. Entre 1873 e 1874, frequentou o Curso Superior de Letras. Morreu vítima de tuberculose, de que sofria já desde 1877. Cesário Verde estreou-se com colaborações no Diário de Notícias, em princípios da década de 70. Entre os outros jornais e revistas que publicaram poemas seus, contam-se o Diário da Tarde, A Tribuna e a Renascença. No entanto, só em 1887 foi organizada, por iniciativa do seu amigo Silva Pinto, uma compilação dos seus poemas, a que foi dado o nome de O Livro de Cesário Verde (à disposição do público geral apenas em 1901). Entretanto, novas edições vieram acrescentar alguns textos à obra conhecida do poeta. Formado ainda dentro do realismo e do parnasianismo literários, Cesário Verde afirmou-se sobretudo pela sua oposição ao lirismo tradicional. Em poemas por vezes cínicos ou humorísticos, conseguiu manter-se alheio ao peso da «literatura», procurando um tom natural que valorizava a linguagem do concreto, do coloquial, por vezes até com cariz técnico, marcando um desejo de autenticidade e um amor ao real. Com uma visão extremamente plástica do mundo, detém-se em deambulações pela cidade ou pelo campo (os seus cenários de eleição) transmitindo o que, aí, lhe é oferecido aos sentidos, em cores, formas e sons. Através de processos impressionistas, de grande sugestividade (condensando e combinando, por exemplo, sensações físicas e morais num só elemento), levou a cabo uma renovação ímpar, no século XIX, da estilística poética portuguesa, abrindo caminho ao modernismo e influenciando decisivamente poetas posteriores.