Veiga, Augusto Manuel Alves da (1850 - 1924)

Advogado português, mentor do republicanismo. No Porto, desenvolveu extraordinária actividade na propaganda das ideias republicanas e na difusão da cultura popular, através de conferências e de cursos de ensino livre. Colaborou assiduamente em vários jornais de pendor democrático, tendo sido um dos fundadores do primeiro matutino republicano portuense, intitulado A Discussão.

Participou também na fundação do Centro Republicano do Porto, responsável pela apresentação da candidatura às eleições legislativas daquele que foi o primeiro deputado republicano a entrar no Parlamento da Monarquia (Rodrigues de Freitas). A sua actividade política e social e o seu enorme prestígio faziam dele o chefe, por excelência, dos republicanos do Norte do país. Daí ter-se visto obrigado a assumir o cargo de chefe civil da revolta de 31 de Janeiro de 1891, pela força das circunstâncias e por imperativos de ordem moral, embora duvidasse do sucesso do movimento por considerá-lo prematuro.

Foi ele, no entanto, quem nesse dia, na varanda da Câmara Municipal do Porto, falando à multidão concentrada na praça D. Pedro, declarou implantada a República. Depois do fracasso da insurreição, refugiou-se no Norte por algumas semanas e, em seguida, fugiu para França, onde permaneceu exilado durante muitos anos. Foi nomeado ministro plenipotenciário de Portugal na Bélgica após a implantação da República, em 5 de Outubro de 1910, tendo desempenhado esse cargo quase até à data de sua morte. Recusou todas as indicações e convites para ministro e, apesar de não se ter candidatado, obteve alguns votos na eleição para Presidente da República de 6 de Agosto de 1915. Publicou, em 1911, o livro Política Nova (Ideias para a Reorganização da Nacionalidade Portuguesa), em que se manifestava partidário de uma república federalista.