Teixeira-Gomes, Manuel (1860 - 1941)
Escritor e político, natural de Portimão. Durante a sua juventude, conviveu com escritores como João de Deus, Sampaio Bruno, Fialho de Almeida e António Patrício. Embora tentasse ainda os estudos universitários, acabou por se dedicar à actividade comercial na empresa familiar, o que acabou por lhe proporcionar inúmeras viagens fora do país.
Após a implantação da República, em 1910, tornou-se diplomata. A sua carreira política culminou, em 1923, com o cargo de presidente da República, que ocupou durante um período de dois anos. Passou então a viver na Argélia, onde veio a falecer. A obra de Teixeira-Gomes, que se estendeu por vários géneros (ficção, crónica, pequenos textos aforísticos e anotações), reflecte de forma viva a sociedade da sua época, por vezes com intuitos de crítica social.
Com aproximações ao Simbolismo, ao Decadentismo, a um certo Classicismo, a sua obra está marcada por um desejo epicurista de experiência e representação de aspectos sensoriais, pelo sentido da fruição do prazer e da vida. Aproxima-se do esteticismo pela recusa da crueza realista, comprazendo-se no olhar irónico ou num certo lirismo impressionista. Assumindo uma postura aristocrática, Teixeira-Gomes compraz-se em anotações eróticas, grotescas, mantendo uma serenidade que tem as suas raízes na Antiguidade Clássica. Entre as suas obras, contam-se Inventário de Junho (1899), Cartas sem Moral Nenhuma (1903), Agosto Azul (1904), Sabina Freire (1905, teatro), Gente Singular (1909, contos), Cartas a Columbano (1932), Novelas Eróticas (1935), Carnaval Literário (1938) e Maria Adelaide (1938, novela).