Saldanha, duque de (João Carlos de Saldanha de Oliveira e Daun) (1790 - 1876)

Militar e político português. A sua atribulada carreira política e militar, ao longo do século XIX, valeu-lhe a alcunha de D. João VII.

Foi promovido a marechal em 1833, quando tinha já no activo uma mão cheia de campanhas militares. Participou nos combates contra a terceira invasão francesa, tendo estado presente na batalha do Buçaco. Seguiram-se campanhas militares em Espanha e no sul de França e uma estadia com a corte no Brasil, em que chegou a governador militar do Rio Grande do Sul.

De regresso a Portugal, em 1823, juntou-se ao infante D. Miguel na Vila-Francada. Mas foi ao lado dos liberais que Saldanha se viria a destacar como um dos mais activos e mesmo contraditórios protagonistas das vicissitudes políticas do século. Frequentando desde 1827 os círculos dos exilados liberais, participou no episódio da Belfastada (1828) e numa tentativa de desembarque fracassada na ilha Terceira, nos Açores. Teve acção importante contra o cerco miguelista do Porto, acabando por assumir o comando em chefe das tropas fiéis a D. Pedro.

A implantação definitiva do liberalismo conduziu-o à política, tal como ao duque da Terceira e a Palmela, com quem manteve rivalidades. Depois de ser, episodicamente, ministro da Guerra e chefe de governo, liderou em 1837, com o duque da Terceira, uma revolta contra a governação setembrista (revolta dos marechais). Derrotado, viu-se obrigado ao exílio, onde iniciou uma carreira diplomática com passagem por Londres como embaixador. Em Outubro de 1846, voltou à ribalta da cena política nacional como chefe militar da Emboscada, nome por que ficou conhecido o golpe palaciano apoiado por Costa Cabral que destituiu o governo formado na sequência da revolta da Maria da Fonte. Saldanha chegava assim à Presidência do Conselho de Ministros, consumando a sua adesão a um liberalismo de feição conservadora e centralista, depois de, na juventude, ter sido um apoiante da esquerda liberal. A segunda fase das sublevações contra os governos de inspiração cabralista (guerra civil da Patuleia) terminou com a vitória do partido dos Cabrais, de Saldanha e da rainha D. Maria II, apoiado pela intervenção de tropas estrangeiras. Acabou por ceder o seu lugar no governo a Costa Cabral (1849), com quem entrou em discordância mais tarde.

Em Abril-Maio de 1851 liderou o pronunciamento militar da Regeneração e regressou ao poder em novo ciclo político, marcado pelo fim das querelas constitucionais. Como governante, tribuno, diplomata e, sobretudo, chefe militar, Saldanha adquiriu uma influência singular, que o fez estar presente em todos os momentos conturbados do seu tempo. Ainda em 1870, já com 80 anos, liderou o golpe da Saldanhada, impondo ao rei D. Luís a demissão do governo do duque de Loulé e alçando-se uma vez mais ao poder. Por breve espaço de tempo, porém, acabando por se exilar como embaixador em Londres, onde veio a falecer.