Régio, José (pseudónimo de José Maria dos Reis Pereira) (1901 - 1969)
Escritor português, natural de Vila do Conde. Licenciado em filologia românica (1925), foi professor liceal primeiro no Porto e, a partir de 1928, em Portalegre, onde permaneceu mais de trinta anos. Com Branquinho da Fonseca e João Gaspar Simões fundou, em 1927, a revista Presença, que marcou o segundo modernismo português. Para além da sua colaboração assídua nesta revista, deixou também textos dispersos por publicações como a Seara Nova, Ler, O Comércio do Porto e o Diário de Notícias. Como escritor, José Régio dedicou-se ao romance, ao teatro, à poesia e ao ensaio. Centrais na sua obra são as problemáticas do conflito entre Deus e o Homem, o indivíduo e a sociedade, numa análise crítica das relações humanas e da solidão, do dilaceramento interior perante a relação entre o espírito e a carne e a ânsia humana do absoluto. Levando a cabo uma auto-análise e uma introspecção constantes, a sua obra é fortemente marcada pelo tom psicologista e, simultaneamente, por um misticismo inquieto que se revela em motivos como o angelismo ou a redenção no sofrimento.
Estreou-se, em 1925, com o volume de poesia Poemas de Deus e do Diabo, a que se seguiram, entre outros, As Encruzilhadas de Deus (1936, tido como a sua obra-prima), Cântico Suspenso (1968) , para além de volumes póstumos. Na ficção narrativa, publicou Jogo da Cabra-Cega (1934), Davam Grandes Passeios aos Domingos (1941), O Príncipe com Orelhas de Burro (1942), o ciclo A Velha Casa (1945-1966) e Histórias de Mulheres (1946), entre outros. Na sua obra ensaística, destacam-se os Três Ensaios Sobre Arte (1967), que reúnem textos publicados anteriormente. Foi ainda autor das peças de teatro Jacob e o Anjo (1940), Benilde ou a Virgem-Mãe (1947) e Três Peças em Um Acto (1957). É considerado por alguns como um dos vultos mais significativos da moderna literatura portuguesa. Recebeu postumamente, em 1970, o Prémio Nacional de Poesia, pelo conjunto da sua obra poética.