Ratton, Jácome (1736 - 1820)

Industrial natural de França. Veio para Portugal em 1747. Os seus pais fixaram-se no Porto, onde primeiro se dedicaram ao comércio ambulante, e só depois foram para Lisboa, onde abriram uma loja. Jácome iniciou a sua actividade mercantil aos dezassete anos, associado aos negócios da família, e aos vinte e um casou com uma das filhas do cônsul francês no Porto. Entretanto, naturalizou-se português e, já independente dos laços familiares, ligou-se a negócios de importação e exportação, vindo a tornar-se um conceituado homem de negócios e um grande empresário capitalista.

Entrou nos circuitos do comércio internacional, mantendo relações comerciais com a França, Hamburgo, Londres e Genebra, mas a sua actividade não se confinou apenas ao mundo do comércio. Ratton alargou os seus investimentos à agricultura e à indústria, aplicando, quer num sector, quer noutro, as mais modernas tecnologias. Era um homem conhecedor das novas correntes económicas do tempo, tendo sido em Portugal o primeiro a defender, em público, as vantagens da utilização da máquina a vapor. Na sua propriedade em Alcochete fez grandes melhoramentos (secou pântanos e paúis, plantou pinhais, explorou salinas), o que fez dele um agricultor de tipo capitalista. Na indústria pode ser considerado um dos primeiros a associar-se às reformas pombalinas: criou, entre outras, fábricas de chapéus em Elvas (1769) e em Lisboa (1784), e uma fábrica de fiação de algodão em Tomar, em 1789.

Ratton foi um homem aberto às mudanças do século XVIII; partilhava as ideias trazidas pela Revolução Francesa e pela Revolução Industrial, mas, dentro do ambiente de perseguição que se vivia na época, tornou-se suspeito ao então intendente da polícia, Pina Manique, e foi obrigado a demitir-se de deputado da Junta do Comércio (cargo que ocupou durante vinte e dois anos) e a exilar-se em Londres.

Em 1802-03, Jácome Ratton recebeu o foro de «fidalgo cavaleiro da Casa Real», mercê que se estendeu aos seus três filhos. Morreu em Paris, a 3 de Julho de 1820, poucos dias antes de rebentar em Portugal a revolução liberal.