Reis, António Soares dos (1847 - 1889)

Escultor português, natural de Vila Nova de Gaia. Ingressou em 1861 na Academia de Belas-Artes do Porto, cujo curso de escultura concluiu em 1867. De imediato seguiu para Paris, onde frequentou a Escola Imperial de Belas-Artes até 1870. No ano seguinte iria deslocar-se até Roma, onde permaneceu cerca de um ano. Seria nessa cidade que iniciaria uma das suas obras mais conhecidas, O Desterrado. De inspiração classicista, a obra (na altura tida como plágio, o que iria angustiar durante muito tempo o escultor) é um notável trabalho dos volumes, permitindo jogos de luz e sombra, a acentuarem o sentido do título. A obra, exposta em 1874 e que proporcionaria a Soares dos Reis uma medalha de ouro em 1881, numa exposição oficial, exerceu influência directa sobre obras da subsequente geração de escultores. Resultado do seu contacto com a escultura europeia da época, a fase seguinte da obra de Soares dos Reis, para além do virtuosismo técnico da sua execução, iria ser marcada pelos valores do realismo, patentes, por exemplo, nos medalhões representando Simões de Almeida e Leandro Braga, na Cabeça de Negro, na Flor Agreste (1881) ou no busto da viscondessa de Moser (1883). O seu ecletismo revelou-se na escultura de temática religiosa, onde também deixou uma marca naturalista (Cristo Crucificado, 1877) ou evocadora de um certo goticismo (São José e São Joaquim, peças esculpidas para a frontaria da capela da família Pestana, no Porto). Soares dos Reis foi também professor na Escola de Belas-Artes do Porto, apresentando, no concurso de admissão, A Morte de Adónis, baixo relevo em gesso. Dedicado à divulgação da escultura, leccionou nos cursos nocturnos do Centro Artístico Portuense, de sua iniciativa. Sofrendo, na sua intenção de renovar o ensino da escultura, a oposição de outras figuras ligadas às instituições da época, o escultor, de temperamento depressivo, suicidou-se em 1889, deixando uma obra ímpar na escultura da segunda metade do século XIX.