Pais, Sidónio Bernardino Cardoso da Silva (1872 - 1918)
Político e militar português, natural de Coimbra. Matemático brilhante, após conclusão do seu curso, na Universidade de Coimbra, leccionou, como professor catedrático, a disciplina de cálculo diferencial e integral.
Iniciou a sua actividade política nos parlamentos e nos executivos da I República, sendo ministro do Fomento e das Finanças entre 1911 e 1912. Passou vários anos em Berlim, onde foi ministro de Portugal até 1916. Data dessa altura a sua simpatia pela Alemanha e a sua oposição à entrada de Portugal na I Guerra Mundial ao lado dos Aliados. Regressado ao país, liderou o golpe militar que levou o seu nome e que derrubou o governo da União Sagrada, partidário do esforço de guerra português. Instaurando uma ditadura militar, governou o país entre Dezembro de 1917 e Dezembro de 1918 sem, no entanto, debelar a crise em que o encontrou, nem conseguir resolver os problemas decorrentes da participação no conflito mundial.
De forte vocação para a chefia carismática, Sidónio tentou criar um regime à sua medida, que designou por República Nova, por oposição à República Velha. Num curto e conturbado consulado, promulgou legislação variada e introduziu o sufrágio universal, fazendo-se eleger Presidente da República em Abril de 1918. Exerceu o poder de forma autoritária e repressiva, tendência que se acentuou à medida que cresceu a sua impopularidade, provocada pela crise económica e social e pelas numerosas perdas de vidas portuguesas na frente de batalha europeia nesse ano de 1918 (batalha de La Lys). Atraindo a oposição dos principais partidos republicanos, da imprensa e dos meios operários, a base de apoio do sidonismo enfraqueceu e deslocou-se cada vez mais para a direita monárquica e católica.
Foi assassinado em Lisboa, na estação de comboios do Rossio, a 15 de Dezembro de 1918.