Pacheco, Luiz (1925 - ?)

Escritor, natural de Lisboa. De 1946 a 1959 trabalhou para a Inspecção dos Espectáculos. A partir de 1945 colaborou em diversos jornais e revistas, como a Seara Nova e o Diário Popular. Em 1950, fundou a editora Contraponto, que publicou obras de autores portugueses surrealistas e neo-realistas como Mário Cesariny, Natália Correia, António Maria Lisboa, Herberto Helder e Vergílio Ferreira, e de diversos autores estrangeiros.

A sua obra de estreia foi História Antiga e Conhecida (1946), que seria mais tarde publicada sob o título Os Doutores, a Salvação e o Menino. Logo num dos seus primeiros livros, Carta Sincera a José Gomes Ferreira (1958), editado por Mário Cesariny, assume-se como um agitador dos meios literários e culturais portugueses, manifestando a sua oposição a todas as formas de repressão e censura do regime fascista. A sua vocação polémica ficou registada em jornais e publicações ocasionais, com textos mais tarde reunidos nas colectâneas Crítica de Circunstância (1966), Literatura Comestível (1972), Textos de Guerrilha I (1979) e Textos de Guerrilha II (1981).

Escreveu a epístola satírica Pacheco Versus Cesariny (1974), que resultou do seu envolvimento com o grupo surrealista. A sua obra ficcional, dificilmente classificável, já que não se insere nem no Neo-Realismo nem no Surrealismo, correntes dominantes da época, é constituída maioritariamente por breves textos líricos escritos em prosa, geralmente com referências autobiográficas. Os seus primeiros textos - O Teodolito (1962) e Comunidade (1964) - foram publicados na sua própria editora. Da sua obra em prosa destaca-se ainda a narrativa O Libertino Passeia por Braga, a Idolátrica, o Seu Esplendor (1970), livro que causou um certo escândalo e que circulou clandestinamente.

Temas recorrentes na sua obra, como o sexo, em diversas manifestações, a fome ou a mendicidade, todos pertencentes ao universo marginal em que o escritor se movimentava, são abordados por vezes com uma seriedade ressalvada por um tom humorístico. A sua linguagem, próxima da oralidade, recorre frequentemente ao calão, integrando-o naturalmente no discurso. A sua posição anti-salazarista e anticlerical está bem patente em alguns dos textos compilados em Exercícios de Estilo (1971) e Textos Malditos (1977), onde reúne textos dispersos ou apreendidos, pelos quais chegou a ser preso. Algumas das suas mais recentes obras são O Caso das Criancinhas Desaparecidas (1986), Memorando, Mirabolando (1995) e Prazo de Validade (1999), recolha de crónicas recentes, publicadas no jornal Público.