Pacheco, Fernando Santiago Mendes de Assis (1937 - 1995)

Escritor e jornalista, natural de Coimbra. Licenciado em Filologia Germânica, esteve ligado aos grupos teatrais académicos durante os seus estudos universitários, em Coimbra. Após um período de mobilização na guerra colonial, em Angola, enveredou pelo jornalismo, estreando-se no Diário de Lisboa, em 1965. Colaborou em publicações literárias e em vários jornais, como República, O Jornal, Se7e, Jornal de Letras (de que também foi redactor) e Record. Era, à altura da sua morte, redactor da Visão. Participou, ainda, em programas de rádio e televisão, foi autor de poemas musicados por compositores portugueses e de textos e diálogos para documentários e filmes.

Dedicou-se também à tradução. Como escritor, Assis Pacheco não esteve ligado a qualquer escola literária. Os seus textos, ao mesmo tempo que reflectem um esforço de pesquisa e experimentalismo na língua portuguesa, são fortemente marcados por uma intenção de crítica social e pela experiência da guerra colonial portuguesa. Publicou, durante muito tempo, pequenas tiragens em edição de autor, com os títulos A Profissão Dominante (1982), Nausicaah! (1984) e A Bela do Bairro e Outros Poemas (1986), o que não impediu a imposição do seu nome na moderna literatura portuguesa. Estreou-se com o volume de poesia Cuidar dos Vivos (1963), a que se seguiram Câu Kiên, Um Resumo (1972, título vietnamita com o qual pretendia iludir a censura salazarista e que saiu, em 1976, como Catalabanza Quilo e Volta), Viagens na Minha Guerra (1972), Siquer Este Refúgio (1976), Memórias do Contencioso (1976), Variações em Sousa (1987) e A Musa Irregular (1991, colectânea da poesia publicada entre 1963 e 1991). Na ficção foi autor de Walt (1978) e de Paixões e Trabalhos de Benito Prada (1993).