Pascoaes, Teixeira de (pseudónimo de Joaquim Pereira Teixeira de Vasconcellos) (1877 - 1952)

Escritor português, natural de Amarante. Formou-se em direito em 1901, vindo a exercer a advocacia durante cerca de dez anos. Passou grande parte da sua vida no solar familiar, na serra do Marão, paisagem que marcou algumas das suas obras. Em 1910, foi um dos fundadores da revista Águia, órgão do movimento cultural da Renascença Portuguesa e do saudosismo, e que veio a dirigir entre 1912 e 1917. Como escritor, estreou-se aos 17 anos com Embriões (1895), mas a afirmação da sua personalidade poética veio apenas com obras mais tardias, como Sempre (1897), Terra Proibida (1899) e As Sombras (1907). Marcado ainda por vivências espirituais do século XIX, por uma forte carga romântica e metafísica, Teixeira de Pascoaes foi, simultaneamente, poeta e pensador. Poeta visionário, a sua inquietação filosófica está ligada à busca da realidade profunda do mundo, revelada através da imaginação do poeta e ausente na aparência das coisas. A saudade é vista como vivência capaz de levar a cabo a recuperação e evocação do que já se perdeu (infância) ou mesmo do que, em vida, não é experienciável. Simultaneamente, é ela que constitui a essência da alma portuguesa, com traços presentes na cultura, na literatura e no povo. Torna-se, no entanto, difícil definir com precisão o pensamento do poeta, por natureza não ligado a dogmas ou fixo a convenções. A esse pensamento corresponde uma escrita sombria, uma lírica fluente, sensível, subtil, feita de indefinições e sombras, frequentemente elegíaca ou plena de um carinho franciscano para com os seres humildes, mas que peca, por vezes, por um certo prosaísmo e falta de rigor de construção poética. Figura polémica da cultura portuguesa, tem sido, sobretudo como pensador, objecto de opiniões controversas. Para além das obras já referidas, e entre muitas outras, escreveu os volumes de poesia Marânus (1911), O Doido e a Morte (1913) e Cantos Indecisos (1921). Obras de reflexão e ensaio foram O Génio Português na sua Expressão Filosófica, Poética e Religiosa (1913), Verbo Escuro (1914), Arte de Ser Português (1915) e Os Poetas Lusíadas (1919). Numa última fase, escreveu sobretudo obras em prosa, nomeadamente biografias. É por muitos considerado uma das figuras mais significativas da literatura portuguesa.