Oliveira, Mateus Vicente de (1706 - 1785)

Arquitecto português, natural de Barcarena (Oeiras). Ao fazer a sua aprendizagem, destacou-se como um dos mais talentosos oficiais da chamada escola de Mafra, núcleo formado por Frederico Ludovice aquando das obras do convento de Mafra. A influência de Ludovice é, aliás, óbvia na sua obra, mas Mateus Vicente revelou uma particular sensibilidade e elegância nas soluções arquitectónicas usadas. Entre 1749 e 1752 trabalhou nas obras da igreja de Santo Estêvão (Lisboa). Paralelamente, dirigiu a construção do palácio de Queluz, mandado edificar pelo infante D. Pedro (filho de D. João V e futuro rei), segundo inspiração colhida no palácio de Versalhes. O arquitecto projectou o núcleo inicial do palácio. Após o terramoto de 1755, que destruiu grande parte de Lisboa, Mateus Vicente passou também a intervir na reconstrução, começando por reedificar a igreja de Santo António à Sé (1776). Durante a fase final da reconstrução de Lisboa, teve lugar a construção da basílica da Estrela, em cumprimento de um voto feito por D. Maria I. O projecto compreendia a igreja e um convento marcados ainda pelo fausto que havia pontuado a arquitectura do reinado de D. João V. A igreja apresenta uma planta em cruz latina, com interiores tratados de modo sóbrio, o que se repete na fachada, afirmando uma estética neoclássica. O arquitecto não assistiria à sagração da basílica, em 1789, quatro anos após a sua morte. Reinaldo Manuel dos Santos foi o arquitecto responsável pela continuação das obras, alterando bastante os planos da fachada. Tendo ascendido a vários cargos oficiais ao longo da sua carreira, como o de arquitecto da Casa do Infantado e do senado da Câmara de Lisboa, Mateus Vicente de Oliveira dilui uma estética barroca, herdada de Ludovice, numa elegância neoclássica característica das suas últimas obras.