Oliveira, cavaleiro de (Francisco Xavier de Oliveira) (1702 - 1789)
Escritor português, cavaleiro da Ordem de Cristo. Foi aluno dos Jesuítas e saiu de Portugal em 1734 para ocupar o cargo de secretário e tesoureiro do embaixador português em Viena (na altura, o 4.º conde de Tarouca), lugar deixado vago pela morte do pai. De Viena de Áustria, onde se incompatibilizou com o embaixador, passou à Holanda e depois a Londres, cidade onde fixou residência e aderiu à religião anglicana, depois de ter abjurado do catolicismo.
Viveu com dificuldades económicas, tentando sobreviver com a escrita e, em Londres, chegou a ser preso por dívidas. Entre a sua obra, principalmente epistolográfica, conhecem-se as Cartas Familiares. Em Lisboa, o Santo Ofício proibiu a circulação dos seus escritos e moveu-lhe um processo que acabaria em auto-de-fé, em 1761. Como não estava no país, foi queimado em efígie. Cavaleiro de Oliveira foi contemporâneo de Luís António Verney e de Ribeiro Sanches e, embora a sua obra não seja tão importante, nem a sua craveira intelectual tão elevada como a de ambos, foi uma figura do iluminismo europeu, um estrangeirado, que criticou a sociedade da sua época e influenciou as ideias em Portugal. Faleceu em Londres, já octogenário.