Óbidos, Josefa de (Josefa de Ayala e Cabrera) (1636 - 1684)

Pintora portuguesa nascida em Sevilha. Era filha do pintor Baltazar Gomes Figueira e de D. Catarina de Ayala. Sabe-se que, em 1636, vivia já em Óbidos, local de nascimento de seu pai, que a levou, aliás, a tomar contacto com os mestres sevilhanos, alargando assim os horizontes da pintora. As obras mais antigas de Josefa de Óbidos que se conhecem datam de 1646: duas gravuras (Santa Catarina e São José), a que se seguiu o Casamento Místico de Santa Catarina (1647), onde é já visível o uso de contrastes lumínicos, com um único foco de luz a incidir sobre as figuras. Este tema, pouco usual na pintura portuguesa da época, viria a ser novamente trabalhado pela pintora no retábulo do altar da Santa Catarina (1661), na Igreja de Santa Maria de Óbidos. Entre 1672 e 1673, Josefa de Óbidos iria executar uma série de trabalhos sobre Santa Teresa de Ávila, para o convento das Carmelitas Descalças, em Cascais. O género da natureza-morta seria aquele com que Josefa de Óbidos atingiria maior projecção. Fazendo inclusão de motivos religiosos nestas composições, como a figura do Menino Jesus ou o Cordeiro Místico, a pintora produziu variadas composições, reflectindo o gosto de época, em que se faz sentir a confluência da pintura flamenga com a espanhola. Esta última introduziria o bodegón, um subgénero da natureza-morta cultivado por pintores como Zurbarán, referência directa para a pintura de Josefa de Óbidos. A obra de Josefa de Óbidos mantém uma posição particular entre os pintores seus contemporâneos, adoptando alguns valores da pintura barroca da época, mas afirmando um estilo peculiar que dimensiona um dos regionalismos deste período.