Nobre, António (1867 - 1900)

Poeta português, natural do Porto. Após uma passagem pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, entre 1888 e 1890, seguiu para Paris, onde concluiu estudos de ciências políticas em 1895. O ingresso na carreira diplomática, que pretendia, não lhe foi possível, por, na altura, sofrer já de tuberculose. Efectuou viagens à Suíça, Madeira e Nova Iorque, procurando a cura para a doença que viria a vitimá-lo. O exílio de Nobre em Paris e as circunstâncias críticas do seu estado de saúde contribuíram em muito para as características da sua obra, que reflecte algumas influências simbolistas e decadentistas. Marcado por uma infância feliz no norte provinciano, entretanto perdida, desenraizado fora da sua pátria (ou, dentro dela, sentindo com amargura a sua estagnação), procurou recuperar um pitoresco português ligado à vida dos simples, ao seu vigor e à sua tragédia, pois sentia por eles uma ternura ingénua, pueril, numa atitude romântica e saudosista que marcou profundamente a posterior literatura portuguesa. Este regresso a um passado feliz, que transfigura a realidade, poetizando-a e aproximando-a da intimidade do poeta, é acompanhado de alguma ironia amarga perante o que achava ser a agonia de Portugal e a sua própria, num sentimentalismo aparentemente simples que, de facto, reflecte uma dimensão mítica, por vezes um certo visionarismo, da sua vivência da saudade, do exílio, da pátria e da poesia. António Nobre levou a cabo uma renovação fundamental da lírica portuguesa: recusando a elaboração convencional, oratória e elevada da linguagem, libertou-a, procurando um tom de coloquialidade, sensível mais que reflexivo, cheio de ritmos livres e musicais, afectivo, oral, precursor de muitos aspectos da modernidade e acompanhado de uma imagística rica e original; o seu único livro publicado em vida, Só (1892), foi um dos grandes marcos da poesia do século XIX. Na sua obra póstuma, constam Despedidas (1902, que inclui um fragmento de um poema sebastianista de intenção épica, O Desejado), Primeiros Versos (1921) e alguns volumes de correspondência.