Nemésio, Vitorino (1901 - 1978)

Escritor e professor universitário português, natural da ilha Terceira (Açores). Foi empregado de escritório em Lisboa e, em 1921, tornou-se redactor de A Pátria. Em 1922, sendo revisor da Imprensa da Universidade de Coimbra, inscreveu-se no curso de direito, passando depois à faculdade de letras da Universidade de Lisboa, onde viria a licenciar-se em filologia românica em 1931, doutorando-se três anos mais tarde. Foi professor universitário em Montpellier (1935-1937), em Bruxelas (1937-1939), na Universidade da Bahía (1958), na Universidade Federal do Ceará (1965) e na Faculdade de Letras de 1941 a 1971, instituição esta que dirigiu de 1957 a 1959. Militante republicano académico, em Coimbra, fundou, com Afonso Duarte, a revista Tríptico. Colaborou na Presença e lançou a Revista de Portugal, que proporcionou um amplo reconhecimento do movimento modernista e de outras correntes de vanguarda, proporcionando a divulgação das tendências das literaturas portuguesa e brasileira da época. Foi autor e apresentador do programa televisivo Se bem me lembro, que o popularizou, e dirigiu o jornal O Dia entre 1975 e 1976. Nemésio foi ficcionista, poeta, cronista, ensaísta, biógrafo e ainda historiador. Levou a cabo, na sua obra, uma transformação das tendências da Presença (que de certa forma precedeu) que garantiu a perenidade dos seus textos. Fortemente marcado pelas suas raízes insulares, a vida açoriana e as recordações da sua infância percorrem a obra do escritor, numa espécie de apelo, revelado pela ternura da sua inspiração popular, pela presença das coisas simples e das gentes, e pela profunda humanidade face à existência e ao sofrimento da vida humana. Aliando uma vasta erudição à capacidade de intuir imagens de grande intensidade poética, foi dos grandes escritores portugueses do século XX, recebendo em 1966 o Prémio Nacional de Literatura e em 1973, o Prémio Montaigne. Entre a sua vasta obra contam-se os volumes de poesia O Bicho Harmonioso (1938), Eu, Comovido a Oeste (1940), Sapateia Açoriana, Andamento Holandês e Outros Poemas (1976); na ficção, Mau Tempo no Canal (1944, Prémio Ricardo Malheiros) e Quatro Prisões debaixo de Armas (1972); e ainda ensaios, volumes de crítica e crónicas.