Negreiros, José Sobral de Almada (1893 - 1970)
Artista plástico e escritor português, natural de São Tomé e Príncipe. Estudou no colégio jesuíta de Campolide e na Escola Nacional de Belas-Artes, em Lisboa. Retomou posteriormente estudos de pintura em Paris (1919-1920). Residiu em Espanha entre 1927 e 1932 e, em 1934, casou com a pintora Sara Afonso. Almada Negreiros, conhecido como «Mestre Almada», colaborou nas revistas de vanguarda Orpheu (de que foi co-fundador), Contemporânea, Athena, Portugal Futurista e Sudoeste (que dirigiu). Participou em exposições de arte, nomeadamente na I Exposição dos Humoristas Portugueses (1911), a primeira do modernismo nacional. Como artista plástico, são de realçar os seus murais nas gares marítimas de Lisboa, os trabalhos para a Igreja de Nossa Senhora de Fátima (mosaico e pintura) e o célebre retrato de Fernando Pessoa, de quem era amigo.
Pintor do advento do cubismo, a sua actividade artística estendeu-se ainda à tapeçaria, à decoração e ao bailado. Como escritor, publicou peças de teatro (Antes de Começar, 1919; Pierrot e Arlequim, 1924; Deseja-se Mulher, 1928); o romance Nome de Guerra (publicado em 1938, mas escrito em 1925), o primeiro em que se manifesta já a arte modernista; poemas (entre os quais A Cena do Ódio, de 1915, descrição violenta do Portugal seu contemporâneo) e uma série de textos de crítica e polémica, dispersos pelas publicações em que colaborava. De entre estes, destacam-se A Invenção do Dia Claro (1921), conferência sob a forma de poema, e o «Manifesto Anti-Dantas», verdadeiro libelo de reacção ao ambiente cultural estagnado e academizante da época. A sua obra representa uma síntese, única na sua geração, das tendências modernistas e futuristas de então, não apenas por, como artista, ser multifacetado, mas também pela sua capacidade de fusão e conjugação, nas letras e na pintura, dessas várias vertentes: plástica, gráfica e poética. Artista da novidade e da provocação, foi uma das grandes figuras da cultura portuguesa do século XX.