Nasoni, Nicolau (1691 - 1773)
Artista plástico de origem italiana (região de Florença), activo em Portugal desde 1725. Nasoni fez a sua aprendizagem artística em Siena, numa oficina onde estudou arquitectura e pintura decorativa. Desde cedo evidenciou uma tendência para associar estas duas artes, na concepção de obras fantasistas, na tradição maneirista e barroca. Foi inicialmente influenciado por artistas italianos como Pietro da Cortona. Em 1724, encontrava-se em Malta, executando a decoração dos tectos no palácio do grão-mestre da ordem de Malta, quando o contacto com Roque de Távora (irmão de D. Jerónimo de Távora e Noronha, deão da Sé do Porto e vice-chanceler da ordem) o trouxe a Portugal. Chegado ao Porto em 1725, aí iniciou uma brilhante carreira, começando por acompanhar as obras que então decorriam na Sé e executando as pinturas da capela-mor (1725-1731). Na Sé, o artista iria ainda intervir na construção de portais, no claustro, e de uma grandiosa escadaria de acesso ao último andar. Atraído pelas características do granito, usado na arquitectura tradicional portuguesa do norte do país, iria trabalhá-lo de forma expressiva, numa obra que se tornaria tão popular, ou mais, na região norte, que a do arquitecto Frederico Ludovice, influente nas regiões centro e sul. Jerónimo de Távora, também presidente da irmandade dos Clérigos, encarregou Nasoni de projectar a igreja da irmandade, cuja construção decorreu em duas fases, entre 1732 e 1749 e entre 1754 e 1763, sendo edificados durante esta última a casa e a famosa torre dos Clérigos. Os elementos decorativos que já caracterizavam a sua obra em Itália estão aqui presentes, numa profusão de motivos naturalistas, com festões, conchas, folhagens e emblemas, encimados por um baldaquino. Este exuberante decorativismo iria estar presente em outras obras, como a igreja do senhor de Matosinhos, projectada por volta de 1743 e a igreja da Misericórdia, reconstruída a partir de 1749, com o desenho da fachada criado por Nasoni. Outras obras suas de vulto são o palácio do Freixo e o palácio episcopal (a maior obra concebida por Nasoni). Neste período de transição entre o barroco e o rococó, Nasoni deixou uma obra influente que, com o seu decorativismo surpreendentemente aliado à robustez do granito, marcou a imagem arquitectónica da cidade do Porto.