Mafalda, beata (1195 - 1256)

Infanta de Portugal, filha de D.Sancho I e de D.Dulce de Aragão. Casou em 1215 com Henrique I de Castela, mas o casamento foi anulado pela Santa Sé. A princesa regressou a Portugal, em 1217, depois da morte do seu ex-marido e recolheu-se ao mosteiro de Arouca. Herdeira, com a morte de Sancho I, de um património considerável de que faziam parte os mosteiros de Arouca e de Bouças, opôs-se, juntamente com as infantas D.Teresa e D.Sancha, a D.Afonso II que procurou reduzir as prerrogativas senhoriais das suas irmãs, acabando estas por solicitar auxílio ao rei Afonso IX de Leão e ao papa. D. Mafalda teve uma acção importante na protecção aos mosteiros, na criação de albergarias, ficando conhecida entre o povo pela sua piedade religiosa como «Santa Mafalda». A sua beatificação foi confirmada em documento oficial do papa Pio VI, datado de 27 Agosto de 1793.

Possuidora de vastos domínios territoriais e de uma enorme quantidade de bens móveis e imóveis, juntou aos seus herdados a compra de terras, dando-lhes privilégios, de modo a atrair as populações para essas áreas. Estes bens foram posteriormente testamentados a favor de inúmeros mosteiros. Teve um papel interventivo em várias áreas. Impôs alterações em mosteiros, como o de Arouca, que transferiu da ordem beneditina para a de Cister, por razões disciplinares; promoveu a atribuição de forais, como o de Vila de Lordelo; e interveio ainda em questões polémicas, como a respeitante ao conflito entre o bispo do Porto e os frades do mosteiro dominicano dessa cidade.