Malhoa, José (1855 - 1933)
Pintor português, natural das Caldas da Rainha. Com formação académica, obtida na Academia Real de Belas-Artes, o início da sua carreira não foi tão promissor quanto ambicionava, levando-o a pensar em desistir da pintura. O êxito obtido por uma tela sua, A Seara Invadida, exposta em Madrid e em Lisboa, fê-lo repensar a desistência. Expondo em 1881 com o Grupo do Leão, de que faziam parte pintores como Silva Porto, Columbano Bordalo Pinheiro, António Ramalho e Henrique Pinto, entre outros, adoptou os seus valores naturalistas, que os pintores do grupo, aliás, haviam tomado da escola de Barbizon. Esta exposição, apresentada na Sociedade de Geografia de Lisboa, com o ousado título de «Exposição de Quadros Modernos», veio impor a presença de Malhoa que, tal como quase todos os pintores naturalistas da sua geração, retirou do naturalismo os princípios realistas e o valor sensorial da luz, mas não adoptou o sentido crítico perante a realidade social, como aconteceria a alguns pintores da escola de Barbison e seus sucessores. Assim, Malhoa elaborou um conjunto de pinturas reveladoras de domínio técnico e sentido da cor, adoptando o óleo como meio e fazendo uso de temáticas rústicas ou urbanas, inventariando essencialmente os tipos populares. A par com o retrato a óleo, esta pintura de costumes, de cenas de interior e de paisagens animadas por situações da ruralidade portuguesa era de fácil aceitação para o novo público da época, constituído por uma classe em fase de ascensão social e económica, avessa às inovações estéticas e agradada pelo retratar das suas reminiscências rurais, aliás partilhadas pelo pintor, também originário de um meio rural. Tendo a sua obra uma faceta de registos instantâneos, depois desenvolvidos nas telas, com pormenores de cenários, usos e trajes tradicionais, Malhoa acabou por significar uma representação (nem científica nem crítica) de valores etnográficos da realidade portuguesa da época. A sua técnica pictórica ganharia, ao largo da sua carreira, maior liberdade de pincelada e maior luminosidade das cores, afastando-se de alguns condicionamentos românticos do início e salientando-se na pintura de paisagem. Telas como Cócegas (1904, exposta no salão de Paris em 1905), Os Bêbados ou Festejando o São Martinho (1907, exposta no Salão de 1907) e O Fado (1910, presente em várias exposições de cidades europeias) são marcos da sua evolução e o resultado de estudos prévios dos locais e dos modelos.