Maia, Ernesto Canto da (1890 - 1981)
Escultor português, natural de Ponta Delgada. Aos 17 anos, deixando os Açores, ingressou na Escola de Belas-Artes de Lisboa, frequentando o curso geral e, concluído este, o curso de arquitectura civil. O seu trabalho foi pela primeira vez apresentado na I Exposição dos Humoristas portugueses, com um conjunto de estatuetas assinadas por Ernesto do Canto. Partiu então para Paris, onde frequentou a Escola de Belas-Artes e a Academia da Grande Chaumière, deslocando-se, em 1914, a Genebra, onde continuou o seu aperfeiçoamento na Escola de Belas-Artes local. Participou, nesse ano, na II Exposição dos Humoristas, com peças criadas em Paris, e na 11.ª Exposição da Sociedade Nacional de Belas-Artes (Lisboa). Regressado a Ponta Delgada, dada a eclosão da I Guerra Mundial. Em 1916, trabalhou em Madrid com o escultor Júlio António, aí expondo A Coragem da Vida. Ainda em 1916, inaugura a sua primeira exposição individual, em Lisboa. Regressado a Paris em 1921, a sua carreira passou então a centrar-se nessa cidade, embora mantivesse ateliers em Lisboa e Genebra. As décadas seguintes viriam a ser de grande actividade, premiada com medalhas em várias exposições francesas e reconhecida institucionalmente, tendo o governo francês adquirido uma obra sua, O Hino do Amor, para o Museu do Jeu de Paume, de cujo espólio fazia também parte uma das suas obras mais conhecidas, Adão e Eva, mais tarde adquirida pelo Museu de Arte Contemporânea de Lisboa. Com larga participação em certames internacionais, participou em 1938 na Exposição Internacional de Cerâmica, sendo esta uma das técnicas usadas na sua obra, na qual se incluem muitas peças em terracota. A sua presença em Portugal foi marcada pela participação na Exposição do Mundo Português (1940), em pleno Estado Novo, onde se destacou a sua obra D. Manuel, Gama e Cabral, grupo escultórico exaltador do espírito dos descobrimentos. Começou aí o seu afastamento da estética Art Déco, com uma representação estilizada e graciosa da figura humana, em direcção a manifestações mais académicas, de representação oficiosa de valores nacionalistas. Inicia-se então uma fase caracterizada pela feitura de estátuas de figuras históricas portuguesas, como as presentes nos monumentos a Gonçalo Vaz Botelho (uma das suas obras mais valorizadas, inaugurada em 1954 em Vila Franca do Campo, Açores) e Diogo Cão (Vila Real). Deixando ainda retratados alguns dos seus amigos e figuras públicas de época, como Arlindo Vicente, Sarah Ambar e Keil do Amaral, o escultor teve um papel de renovação estética na escultura portuguesa, fazendo uma ponte entre as orientações do regime político da época e os valores do modernismo. Tendo sido alvo de reconhecimento, foi premiado com o Prémio de Escultura Manuel Pereira (1949) e ainda eleito vogal honorário da Academia Nacional de Belas-Artes (1966). Em 1973, foi organizada, em Ponta Delgada, uma retrospectiva da sua obra, também representada no Museu Nacional de Arte Contemporânea/Museu do Chiado.