Lagoa, Vera (Maria Armanda Pires Falcão) (1917 - 1996)

Jornalista natural da ilha de Moçambique. Com apenas 16 anos, veio para Lisboa onde começou a trabalhar como secretária. Em 1957, tornou-se conhecida por ser a primeira locutora de continuidade da RTP (Radiotelevisão Portuguesa) e pela organização dos concursos de Miss Portugal. Atenta ao contexto político nacional, participou na luta contra o regime de Salazar, integrando manifestações de contestação. Em 1958, secretariou a candidatura à presidência da República do general Humberto Delgado.

O seu casamento com o historiador José Manuel Tengarrinha, militante de esquerda, despertou-lhe simpatias pelo Partido Comunista Português e pelo movimento comunista, com o qual colaborou. Em 1965, decidiu dedicar-se ao jornalismo. Começou por assegurar a primeira crónica social portuguesa, chamada «Bisbilhotices», no Diário Popular, escrevendo sob o pseudónimo Vera Lagoa (escolhido por Luís de Sttau Monteiro). Durante a sua carreira jornalística foi várias vezes levada a tribunal, acusada de injúrias e difamação, sendo os seus alvos Ramalho Eanes, Álvaro Cunhal, Costa Gomes, Vasco Gonçalves, Melo Antunes, Almeida Santos e Mário Soares, entre outras figuras públicas. Em 1976, fundou o semanário O Diabo, assumindo a sua direcção ao longo de 15 anos.

Em 1979, foi amnistiada de todas as condenações por abuso de liberdade de imprensa. Distinguiu-se pelo seu esforço de provocar a continuidade das investigações sobre o «Caso de Camarate», no sentido de se apurarem as razões do acidente que causou a morte de Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa. Deixou publicado o livro Histórias de Revolucionários Que Eu Conheci.