João III, D. (o Piedoso) (1502 - 1557)

Rei de Portugal entre 1521 e 1557. Natural de Lisboa, era filho de D. Manuel I e de D. Maria (filha dos Reis Católicos e segunda esposa de D. Manuel). Casou, em 1525, com D. Catarina da Áustria.

Foi durante o seu reinado que Portugal viveu o período de maior projecção internacional, encontrando-se em pleno apogeu da expansão. Desenvolveu políticas de reforço das posições portuguesas na Índia, tratando de assegurar o monopólio de especiarias conseguido através do resgaste das Molucas durante uma viagem de Fernão de Magalhães. Conseguiu igualmente estabelecer contacto com a China e o Japão. Sacrificou os territórios marroquinos (Safim, Azamor, Alcácer Ceguer e Arzila) para maximização do comércio da Índia e exploração das potencialidades do Brasil. No seu esforço de expansão comercial, intensificou contactos com as regiões bálticas e renanas.

Foi o responsável pelas primeiras campanhas de evangelização do oriente (esta, confiada a São Francisco Xavier), do Brasil (confiada a Manuel da Nóbrega) através da introdução da Companhia de Jesus nesses territórios e de África (entregue ao Colégio das Artes de Coimbra). Manteve grandes preocupações ao nível da cultura, promovendo bolsas de estudo no estrangeiro, fundando o Colégio das Artes e transferindo a universidade para Coimbra. Financiou, ainda, inúmeros colégios sob a orientação dos jesuítas. Instituiu em Portugal a Inquisição como forma de salvaguardar a unidade da fé católica no reino de Portugal.

Durante o seu reinado iniciou-se o período de declínio do domínio português sobre os territórios até aí descobertos.