João I, D. (o de Boa Memória) (1357 - 1433)

Rei de Portugal entre 1385 e 1433, foi o fundador da Dinastia de Avis (2.ª dinastia).

Era filho de D. Pedro I e de uma dama originária da Galiza, D. Teresa Lourenço. Educado pelo comendador-mor da Ordem de Avis, foi mestre dessa ordem religiosa a partir de 1364. Por ser de sangue real e por se temer que encabeçasse o partido que se opunha à rainha, D. Leonor Teles, mulher de D. Fernando (que entretanto sucedera a D. Pedro), e ao conde João Fernandes Andeiro, foi ordenada a prisão do Mestre, a que uma ordem real de D. Fernando, poria fim.

A morte do rei, em 1383, originou uma crise sucessória que opunha os partidários do rei castelhano aos que apoiavam o partido português. D. Leonor Teles, preocupada com a presença do Mestre de Avis, afastou-o para as fronteiras a sul do Tejo, mas alguns nobres e burgueses, como Nuno Álvares Pereira e Álvaro Pais, com a intenção de afastarem de vez o conde Andeiro, chamaram-no a Lisboa, passando D. João a liderar a facção anticastelhana. Em Lisboa, matou, em 1383, o conde de Andeiro, sendo aclamado pelos populares e tendo aceite o título de «defensor e regedor do reino». Constituíu, então, um Conselho de Estado, de que faziam parte, entre outros, D. Nuno Álvares Pereira, João das Regras e Álvaro Pais.

Tomou a cidade de Lisboa e a vila de Alenquer, onde se refugiara D. Leonor. Esta pediu auxílio a D. João de Castela, seu genro, que invadiu Portugal. Em Abril de 1385, o Mestre foi aclamado rei nas cortes de Coimbra e, em Agosto do mesmo ano, deu-se a batalha de Aljubarrota, em que as tropas portuguesas, chefiadas por Nuno Álvares Pereira, conseguiram derrotar definitivamente os castelhanos.

D. João I assinou as tréguas com Castela em 1389, embora a paz definitiva só fosse estabelecida em 1411. Em 1386 havia firmado com a Inglaterra o tratado de Windsor (aliança luso-inglesa), desposando, no ano seguinte, D. Filipa de Lencastre. A partir de 1412, o seu filho primogénito, D. Duarte, foi associado ao governo. Em 1415, foi conquistada a praça africana de Ceuta, dando-se início à expansão portuguesa. Ainda no seu reinado, foram descobertas as ilhas atlânticas.

D. João I, apoiado em larga medida pela burguesia nacional, marcou a transição entre a época medieval do país e o período de expansão, moderno e mercantilista. Dedicou-se à reorganização administrativa do reino, procurando reforçar o poder real face à nobreza. A paz interna e externa esteve garantida após a trégua definitiva com Castela, em 1411, sendo interrompida apenas pela conquista de Ceuta. D. João I protagonizou transformações sociais e económicas de grande importância para o período subsequente da história portuguesa.

No campo cultural, mandou construir o mosteiro de Santa Maria da Vitória (Batalha) e escreveu o célebre Livro da Montaria.