João VI, D. (o Clemente) (1767 - 1826)

Rei de Portugal desde 1816. Natural de Lisboa, era filho de D. Maria I e de D. Pedro III. Casou com D. Carlota Joaquina em 1785. Substituiu a mãe no poder em 1792 (por esta se encontrar doente), tornando-se príncipe regente em 1799. Só foi aclamado rei em 1816.

Durante o seu governo, foi em auxílio da Espanha, envolvida na guerra com França, enviando um contigente militar português para a campanha de Rossilhão (1793-1794). Não obstante esta aliança entre os dois países, Espanha declarou guerra a Portugal, apoderando-se das terras de Olivença (1801), nunca restituídas, apesar da aliança de armas celebrada entre os dois países durante a Guerra Peninsular.

Aliado de Inglaterra, foi adverso à imposição napoleónica do bloqueio continental, o que desencadeou as invasões dos franceses a Portugal, iniciadas pelo general Junot em 1807, sendo objectivo de Napoleão prender o rei e obrigá-lo a renunciar. Por esta razão, a corte portuguesa fugiu, nesse mesmo ano, para o Brasil, onde o rei promoveu o desenvolvimento do território, elevando-o a reino em 1815, e tentou a sua expansão pela ocupação do Guiana francês (1809) e da província Cisplatina (1817). Regressou a Portugal em 1821, logo após a revolução liberal do Porto (1820). O príncipe D. Pedro IV, do outro lado do Atlântico, na regência do Brasil, proclamou a independência deste território (1822).

D. João VI jurou a constituição liberal, que veio a provocar reacções radicais como a Vila-Francada (1823) e a Abrilada (1824), e que obrigaram o rei a desterrar a rainha para o Ramalhão (Sintra) e depois, para Queluz, enquanto procurava exílio no estrangeiro para D. Miguel, seu filho. A independência do Brasil foi reconhecida pelo monarca em 1825.

Rei recatado e generoso, o seu reinado caracterizou-se por um sentido de equilíbrio e sensatez.