João V, D. (o Magnânimo) (1689 - 1750)

Rei português a partir de 1706, era filho de D. Pedro II e de D. Maria Sofia de Neuburgo. Casou, em 1708, com D. Maria Ana de Áustria.

À data da sua subida ao trono, Portugal encontrava-se envolvido na guerra da sucessão de Espanha. Por outro lado, o tesouro estava depauperado, devido às guerras da Restauração. Em 1714, foi assinada a paz de Utreque, que pôs termo à guerra da sucessão e em que era garantida a Portugal a posse dos territórios da Amazónia. Entretanto, no ano seguinte, foi restituída a colónia do Sacramento aos portugueses, mas a aplicação do acordo não garantiu plenamente a sua posse, sendo os limites estabelecidos alterados pelos espanhóis.

Externamente, o reinado de D. João V pautou-se por uma política geral de neutralidade face a conflitos internacionais, interrompida apenas pela sua participação na guerra contra os turcos, em 1717, respondendo ao apelo do papa. Obteve, de Roma, a paridade diplomática relativamente aos outros estados da Europa, para além de vários benefícios eclesiásticos. Reafirmou a aliança luso-inglesa.

Em relação aos territórios ultramarinos, a atenção de D. João V estava, em particular, dirigida ao Brasil. Fomentou o povoamento do território com emigrantes, introduziu várias reformas administrativas e militares, fomentou a produção da cana-de-açúcar e procurou delimitar mais rigorosamente as fronteiras.

Internamente, o monarca levou igualmente a cabo reformas importantes: remodelou o exército, restruturou algumas áreas do ensino, ordenou a construção do aqueduto das Águas Livres e incentivou, entre 1720 e 1740, o desenvolvimento de manufacturas, entre outras nas áreas vidreira, dos têxteis e do papel. O ouro e os diamantes do Brasil (e ainda, embora sem tanta importância, o comércio vinícola com a Inglaterra), apesar de dificuldades causadas pelo seu contrabando e da má situação do império oriental, permitiram ao rei grandes investimentos, principalmente na área da política cultural, que definitivamente celebrizaram o seu reinado.

O desenvolvimento da construção arquitectónica de então originou um vasto legado, de que ainda hoje encontramos belíssimos exemplos. Datam deste período as construções do convento de Mafra e de inúmeras capelas e igrejas no país. Também as artes decorativas (mobiliário, ourivesaria, azulejaria) sofreram um grande impulso, surgindo mesmo o chamado «estilo D. João V». As bibliotecas do país foram aumentadas, e fundados o Observatório Astrológico do Colégio de Santo Antão e a Real Academia de História. O seu reinado destacou-se ainda pela actividade de algumas personalidades a quem se chamava estrangeirados, como António Verney e Alexandre de Gusmão.

Apesar de problemas sociais, que não deixaram de afectar o país nesta altura, a Coroa portuguesa conseguiu, no plano diplomático, recuperar o prestígio e a projecção internacionais de épocas anteriores.