João IV, D. (o Restaurador) (1604 - 1656)

Primeiro rei da dinastia de Bragança, D. João IV, deve o seu cognome «O Restaurador» ao facto de ter aceite o trono de Portugal após a restauração da independência, conseguida com a revolução de 1640. Nasceu em Vila Viçosa, a 19 de Março de 1604. Foi o 8.º duque de Bragança, mas também foi 5.º duque de Guimarães e 3.º de Barcelos. Recebeu uma educação esmerada em vários domínios da cultura, desde a teologia à música. Casou em 1633 com D. Luísa de Gusmão de quem teve vários filhos. Entre eles contam-se D. Teodósio, o primogénito, destinado a rei mas que morreu prematuramente, e D. Afonso VI, filho segundo, deficiente físico e doente mental, que viria a herdar o trono, após a regência da mãe.

D. João IV ficou conhecido na história como um homem prudente, generoso na forma como colocou ao serviço da pátria a fortuna dos Braganças, hábil nas negociações diplomáticas com os outros países, pretendendo atraí-los à causa da independência, e muito firme no modo como conduziu a política militar do reino, a braços com a Guerra da Restauração, que havia de durar 28 anos. Portugal vivia uma época difícil; era necessário adoptar medidas de segurança e de defesa para o país. Para isso, D. João IV, logo em Janeiro de 1641, reuniu Cortes em Lisboa, onde foi votada a décima militar (10% dos haveres individuais), um imposto bastante pesado e que foi aumentado logo no ano seguinte. Apesar disso, não consta que tenha havido protestos, o que mostra a vontade que os portugueses tinham de assegurar a independência do país. D. João IV reinou durante dezasseis anos (1640-1656), e o seu governo foi marcado por abundante legislação, e pela criação e renovação de estruturas administrativas necessárias ao país: o Tribunal da Junta dos Três Estados, o Tribunal do Conselho Ultramarino, a Companhia da Junta de Comércio, a regulamentação da Secretaria de Estado. Foi no seu reinado e por vontade sua que Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa foi declarada padroeira de Portugal.