Homem, André

Cartógrafo português. Considerado na sua época um «príncipe dos cosmógrafos», pensa-se existirem relações de parentesco entre André Homem e Lopo Homem (mestre de cartas de navegação de Portugal) e Diogo Homem (também mestre da mesma arte). A partir de 1559 passou a viver em França, tendo fugido à acção da justiça portuguesa por motivos hoje desconhecidos.

Nunca mais voltou a Portugal, apesar de as cortes se terem manifestado a seu favor cerca de 1565. Viveu em Paris, Londres e Bilbau (Espanha) e defendeu, de longe, a causa de D. António, prior do Crato. No seu exílio, tornou-se cartógrafo do rei francês, e das suas obras apenas se conhece actualmente um mapa-múndi em pergaminho, intitulado Universa ac Nacigabilis Terrarum Orbis Descriptio (1559). Este mapa, artisticamente iluminado e harmoniosamente concebido, é considerado um dos mais importantes trabalhos cartográficos antigos. Com as dimensões de 3 m x 1,5 m, o planisfério inclui a descrição completa de todas as águas navegáveis, com todos os portos, ilhas, rios, promontórios, ancoradouros, angras e baías, incluindo dados de grande perfeição técnica como graus de latitude e longitude. Actualmente, o mapa está guardado na Biblioteca Nacional de Paris. Foi dividido em dez partes no século passado, para facilitar a sua conservação, e esteve exposto em Portugal, devidamente montado, durante a XVII Exposição do Conselho da Europa (1983).