Henrique, infante D. (o Navegador) (1394 - 1460)

Apelidado também de «infante de Sagres», nasceu no Porto e era filho de D. João I e de D. Filipa de Lencastre. Com a confiança do rei, seu pai, organizou a frota, entretanto concentrada no Porto, para a expedição a Ceuta. Após a conquista desta cidade (1415), foi armado cavaleiro por seu pai e, tornou-se duque de Viseu e senhor da Covilhã. Em 1416, foi designado para administrador da Ordem de Cristo, na qual fez investidura em 1420, o que lhe permitiu ter à sua disposição os meios financeiros para executar os seus planos de expansão marítima.

A necessidade de defender a costa meridional do país desencadeou o processo de exploração dos mares, levando à redescoberta de Porto Santo e Madeira (1419) e do grupo oriental dos Açores (1427). Preocupado com o rigor nas artes de marear e o relato das experiências, mandou vir os maiores peritos da época - mestres de cartografia como Jafuda ou Jácome de Maiorca - que terá acolhido na mítica Escola de Sagres. A sua empresa foi bem sucedida e cada vez mais progressos náuticos permitiram a realização da sua vontade que se crê então motivada por razões religiosas (espírito de cruzada), políticas e económicas.

Simultaneamente, dedicou-se a reformas do ensino na Universidade de Lisboa, introduzindo disciplinas como a matemática e a astronomia, e chegou a participar na expedição fracassada a Tânger (1437) e na conquista de Alcácer Ceguer (1457). Partidário de D. Pedro na crise de sucessão que culminaria em Alfarrobeira (1449), adoptou uma posição passiva, respeitando a autoridade de D. Afonso V.

Mantendo uma estreita ligação à universidade, os seus interesses fundamentais concentravam-se nas conquistas de além-mar, pelo que fixou residência no Algarve, em Lagos ou em Sagres. Cumulou as funções de organizador das expedições marítimas, colonizador das ilhas da Madeira e dos Açores, e a manutenção de relações comerciais, políticas e missionárias com o território africano recém-descoberto. Assegurou ainda o governo e a administração da Ordem de Cristo e a defesa dos interesses do reino junto do papa e do rei de Castela.

De personalidade determinada, e guiado pelo espírito de cruzada, lançou a aventura dos descobrimentos portugueses, que viria a alargar, posteriormente, os horizontes de muitos países, para além de Portugal.