Henrique, cardeal-rei D. (1512 - 1580)

Rei de Portugal. Natural de Lisboa, era filho de D. Manuel I e D. Maria de Castela. Aos 14 anos, era prior comendatário do mosteiro de Santa Cruz de Coimbra e ascendeu a arcebispo de Braga aos 22. Nomeado inquisidor-geral dos reinos de Portugal, em 1532 recebeu a administração do arcebispado de Braga; em 1537 foi nomeado arcebispo de Évora; em 1540, de Lisboa; em 1542, foi incumbido de administrar o mosteiro de Alcobaça a título vitalício e, em 1545, atingiu o cardinalato.

Comportou-se como um mecenas e um princípe de ideal renascentista enquanto viveu em Évora, dotando a sé de uma notável capela musical com colégio anexo, rodeando-se de ilustres humanistas, tais como Clenardo, Vaseu, André de Resende, e criando a Universidade em 1559, no Colégio do Espírito Santo, entretanto construído naquela cidade. Não tendo desempenhado actividade política marcante durante a vida de D. João III, sobressaiu, contudo, durante a menoridade de D. Sebastião, seu sobrinho, por se opor a muitas decisões de D.Catarina, a regente, adepta de aproximação excessiva a Filipe II. Contudo, também com o jovem rei se deterioraram os laços familiares, devido ao comportamento de D. Sebastião, pelo que o cardeal viveu frequentemente afastado da corte.

Subiu ao trono de Portugal após a morte de D. Sebastião, em 1578. Reuniu esforços e serviu-se de todos os meios para resgatar os cativos em Marrocos, em resultado da campanha falhada de D. Sebastião. Preocupado com o problema da sucessão, acabou por nomear uma regência que, pouco segura face à ambição de Filipe II, acabou por favorecer o monarca espanhol, com apoios em Portugal. Iniciou-se então um período de domínio espanhol, só terminado em 1640.