Gama, Vasco da (1468 - 1524)
Navegador português responsável pela descoberta do caminho marítimo para a Índia.
Filho de Estêvão da Gama, ainda tentou uma carreira eclesiástica, chegando a receber a tonsura clerical em 1480. Respeitado como navegador experiente, por ter participado em diversas operações navais nas costas de Portugal e de Marrocos, e por ter sido encarregado por D. João II de várias missões no mar, foi o homem escolhido por D. Manuel I para comandar a armada que viria a estabelecer o caminho marítimo para a Índia. A possibilidade de seguir esta rota marítima tinha já sido antevista, após Bartolomeu Dias, na sua viagem de 1487/8, ter ultrapassado o cabo da Boa Esperança.
D. João II, aliás, tinha dado ao pai de Vasco da Gama o comando de uma frota, para uma viagem com a mesma intenção, que não chegou a realizar-se. A expedição de Vasco da Gama foi então cuidadosamente preparada e, no dia 8 de Julho de 1497, partiu do Restelo, composta por um navio de transporte (que deveria ser destruído no caminho), a caravela Bérrio e as naus São Gabriel e São Rafael, ambas construídas expressamente para esta viagem. Vasco da Gama seguiu na expedição comandando a nau São Gabriel, enquanto o seu irmão mais velho, Paulo da Gama, comandava a nau São Rafael. A tripulação era constituída por cerca de 170 homens, dos quais apenas um terço regressaria a Portugal.
Vasco da Gama acumulava funções de capitão-mor da expedição e funções diplomáticas, já que era portador de cartas de D. Manuel para o samorim de Calecute, com quem o monarca pretendia estabelecer as primeiras relações na Índia.
Depois de algumas paragens e de seis tentativas frustradas para passar o cabo da Boa Esperança, a expedição chegou finalmente a Moçambique em Março de 1498, e aí recuperou forças. A paragem seguinte, em Melinde, permitiu ao chefe da expedição contratar um piloto local, que, em Maio de 1498, conduziu a armada a Calecute, um dos grandes empórios comerciais do Oriente e o objectivo final da viagem. Aí chegado em Maio de 1498, Vasco da Gama não pôde, porém, levar a cabo as suas missões, já que os mercadores muçulmanos lhe levantaram diversos obstáculos, impedindo o estabelecimento de relações diplomáticas e comerciais estáveis. Não possuindo meios militares para se impor, o navegador iniciou, nesse mesmo ano, uma atribulada viagem de regresso, que resultou na perda de grande parte da tripulação (devido ao escorbuto) e da nau São Rafael. O seu próprio irmão, doente, morreu ao chegarem à ilha Terceira, em Julho de 1499.
Só em finais de Agosto de 1499 desembarcou em Lisboa, tendo sido recebido por D. Manuel com vários privilégios e mercês honoríficas pelos serviços prestados ao reino, que incluíam o título nobiliárquico de Dom (extensível a irmãos e descendentes), a permissão de trazer da Índia mercadorias até determinado valor, podendo negociá-las no reino sem pagar os encargos e direitos normalmente aplicados, e uma renda anual de 30 000 cruzados.
Partiu novamente para a Índia em 1502, acompanhado por uma armada de 15 naus e com o objectivo de assegurar o domínio definitivo das águas do Malabar. Tornou tributário o rei de Quíloa, castigou o rei de Calecute, pelos entraves antes colocados por este, assinou alianças com os reis de Cochim e Cananor, conseguindo, antes do seu regresso, em 1504, assegurar o domínio isolado dos portugueses no oceano Índico.
Novos privilégios o aguardavam à sua chegada a Lisboa. D. Manuel tornou-o conde da Vidigueira e D. João III nomeou-o vice-rei da Índia, com amplos poderes sobre aquele território. A sua última viagem para a Índia teve início nos princípios de 1524, com o objectivo de pôr cobro às desordens que comprometiam a presença portuguesa. Em pouco tempo, colocou em ordem os oficiais corruptos que tomavam conta do território. Acabou por morrer no dia 25 de Dezembro de 1524, em Cochim, vítima de uma grave doença. O seu corpo, inicialmente sepultado na capela-mor desta localidade, foi mais tarde trasladado para a Vidigueira.