Fernando II, D. (1816 - 1885)
Rei português pelo seu casamento com a rainha D. Maria II, de seu nome Fernando Augusto António Kohary, príncipe de Saxe-Coburgo-Gotha, casou em Janeiro de 1836, por procuração, com D. Maria II, chegando a Lisboa apenas em Abril desse ano. Recebeu então, a 30 de Abril de 1836, o cargo de chefe do exército português e, em 1837, o título de rei, quando do nascimento de D. Pedro, seu filho primogénito e futuro rei de Portugal.
Pouco depois da sua chegada, entrava de novo em vigor a Carta Constitucional de 1826. Deu-se então a revolução de Setembro (1836) e até um simulacro de guerra civil, protagonizada pelo marechal Saldanha e pelo duque da Terceira, e que ficou conhecida como a revolta dos marechais (Julho-Novembro de 1837). D. Fernando foi afastado do comando do exército, permanecendo como um conselheiro da rainha. Porém, anos mais tarde, foi novamente nomeado para tal cargo, aquando da Patuleia (1846-1847), insurreição popular devida à crescente instabilidade política e económica, e do movimento da Regeneração (1851).
Em 1853 morreu a rainha D. Maria II, tendo D. Fernando permanecido como regente do reino, até D. Pedro atingir a maioridade e subir ao trono.
Em 1862 e 1869 foram-lhe oferecidas as coroas da Grécia e de Espanha, respectivamente, que recusou.
D. Fernando ficou conhecido como o «rei-artista», cognome que lhe foi atribuído por Castilho, e que se justifica, já que este rei foi grande amante e protector das artes e, ele próprio, um artista. D. Fernando adquiriu obras de numerosos pintores que iniciavam, então, a sua carreira e que lhe ficaram a dever a fama, como Anunciação, Menezes, Cristino, Rezende, bem como telas de pintores antigos, mobiliário, pratas, entre outras obras de arte. A D. Fernando se deve também o restauro de numerosos monumentos, como os conventos de Tomar, de Mafra, dos Jerónimos, a Torre de Belém e a Sé de Lisboa, e a construção do palácio da Pena, procurando o rei, através de todas estas acções, alterar os hábitos da cultura em Portugal.