Ferreira, Vergílio (1916 - 1996)
Escritor português natural de Melo (Gouveia). Aos dez anos de idade, ingressou no seminário do Fundão, que abandonou em 1932. Estudou então filologia clássica em Coimbra, exercendo a partir de 1959 a profissão de professor do ensino secundário. Inicialmente ligado ao neo-realismo, acabou por se desligar deste movimento literário, evoluindo a sua obra no sentido de um existencialismo e de um humanismo. A sua obra é atravessada por uma constante reflexão sobre a condição humana, um constante registo das grandes interrogações do homem, da procura de sentido para as razões essenciais da vida e da morte. Esta orientação foi seguida a partir do romance Mudança (1950), ficando definitivamente associada às obras seguintes do escritor. A par desta interrogação filosófica sobre o destino do homem, os textos de Vergílio Ferreira, nomeadamente os ensaios, reflectem também sobre os problemas da arte e da civilização europeias. No entanto, na sua obra, os aspectos ensaísticos estão também frequentemente implicados nos romances. Considerado um dos grandes escritores portugueses do século XX, Vergílio Ferreira manteve-se à margem de polémicas estritamente políticas e de grupos literários, o que lhe valeu algumas críticas por parte de outros nomes do mundo cultural português. Estreou-se com O Caminho Fica Longe (1943). Entre os seus outros romances, contam-se Manhã Submersa (1954), Aparição (1959, Prémio Camilo Castelo Branco), Para Sempre (1983), Até ao Fim (1987, Grande Prémio de Novela e Romance da Associação Portuguesa de Escritores), Na Tua Face (1993, Grande Prémio de Novela e Romance da APE) e, já após a sua morte, Cartas a Sandra (1996). Publicou ainda, a partir de 1981, nove volumes do diário Conta-Corrente. Ganhou, entre outros, o Prémio do Centro Português da Associação Internacional de Críticos Literários (1985, pelo conjunto da sua obra), o Prémio Fémina (1990), o Prémio Europália (1991) e o Prémio Camões (1992).