Ferreira, António (1528 - 1569)

Escritor renascentista português. Formou-se em cânones na Universidade de Coimbra, onde exerceu o cargo de professor substituto em 1554. Foi, ainda, desembargador da Casa do Cível em 1556. António Ferreira, discípulo de Sá de Miranda, influenciado por Petrarca e Horácio, foi o grande teorizador do humanismo renascentista em Portugal, no que diz respeito à arte literária. Nas cartas e odes, nomeadamente, encontra-se a defesa dos valores da razão humana e de outros tópicos renascentistas e horacianos. O escritor cultivou os vários géneros poéticos do classicismo literário (sonetos, odes, elegias, epigramas), destacando-se, sobretudo, pela sua tentativa de introduzir em Portugal o teatro clássico. Assim, e para além das comédias Bristo e Cioso (publicadas em 1622), escreveu a tragédia Castro (1587), a primeira obra sua a ser impressa, considerada a mais admirável obra dramática do classicismo português e que tem como tema os amores de D. Pedro e D. Inês de Castro. António Ferreira foi ainda um defensor acérrimo do purismo da língua portuguesa, condenando o hábito, que havia na altura, entre os escritores portugueses, de escreverem tanto em português como em castelhano. De estilo puramente clássico, por vezes duro e pouco fluente, afastando-se totalmente quer da tradição lírica medieval portuguesa quer da poesia barroca, o humanista reuniu a sua obra poética num volume (Poemas Lusitanos) editado pelo seu filho em 1589.