Delgado, Humberto (1906 - 1965)
Militar e político português. Fez o curso de artilharia em 1925, o curso de piloto e observador em 1927, e o do Estado-Maior em 1936. Foi promovido com 46 anos a brigadeiro e, com 47 anos, a general (o mais novo da sua geração). Representou Portugal nos acordos secretos estabelecidos com o governo inglês, relativos à concessão da base aérea dos Açores (1941 a 1943) e chefiou a missão militar portuguesa em Washington.
Em 1958, nas eleições presidenciais, foi candidato oposicionista, desencadeando uma calorosa adesão de grande parte da pequena e média burguesia. Segundo os números oficiais, obteve 25% dos votos, mas Humberto Delgado contestou a veracidade desses resultados, afirmando ter ganho as eleições. Foi perseguido, refugiou-se na Embaixada do Brasil e, depois de um azedo conflito diplomático do governo português com aquele país, fixou no Brasil o seu exílio. Aí, encabeçou um movimento de oposição ao governo português e, em 1961, concebeu e orientou o assalto ao paquete Santa Maria.
Mais tarde instalou-se em Argel e, quando em 1965 tentava entrar em Portugal, foi assassinado por elementos da polícia política (PIDE) em circunstâncias não totalmente esclarecidas. Humberto Delgado foi reintegrado postumamente no posto de general da Força Aérea (1974) e agraciado a título póstumo com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade (1980). Em 1990 os seus restos mortais foram transladados para o Panteão Nacional.
Em Maio de 1996, 90 anos após o nascimento de Humberto Delgado, inaugurou-se em Boquilobo, Torres Novas (local do seu nascimento), a Casa Humberto Delgado-Memorial, com o objectivo de manter a memória dos actos e palavras do homem que foi apelidado de «general sem medo». A casa em que Humberto Delgado nasceu foi renovada de acordo com o projecto do escultor José Aurélio, e inclui, gravado em pedra, um poema de Manuel Alegre dedicado ao general.