Dantas, João Pereira

Fidalgo e diplomata português. Efectuou um grande número de viagens pelo império português da época, tendo sido soldado na Índia. Esta experiência prática como viajante levou a que, à semelhança de outros, fosse incumbido, por D. João III, em 1556, de apresentar um parecer sobre a carreira da Índia, analisando e propondo soluções para os vários problemas que dificultavam as viagens e tornavam o domínio português política e economicamente mais frágil.

O projecto de Dantas, que incluía a alteração da data de partida das armadas e a mudança do ponto de escala em Moçambique para a zona do Cabo, tendo em conta os problemas climáticos, as monções e as ameaças turcas, não foi posto em prática pelo monarca português, dele se servindo os holandeses, a partir de 1662, com êxito.

O grande mérito de Dantas residiu no facto de conjugar o seu conhecimento experimental da carreira da Índia com o conhecimento adquirido enquanto diplomata nas cortes europeias, que lhe dava uma visão política e económica da questão. Dantas, aliás, soube recolher informação geral, não só relativa à Índia, como também ao Novo Mundo, antevendo problemas de política estratégica global ligados ao fortalecimento do poder de outros reinos europeus que não os ibéricos.

Igualmente, como embaixador em França (1557-1569), destacou-se na salvaguarda dos direitos portugueses de navegação e comércio na costa da Guiné e ilhas atlânticas contra os ataques e saques, nomeadamente dos franceses.

Reconhecidos os serviços prestados, foi nomeado conselheiro real em 1563.