Dinis, Júlio (pseudónimo de Joaquim Guilherme Gomes Coelho) (1839 - 1871)
Escritor português. Estudou medicina no Porto, mas a tuberculose de que sofria, e que o vitimou, levou-o a viver em zonas rurais, como Ovar e a Madeira, o que lhe permitiu contactar com as gentes e costumes do povo. Como escritor, Júlio Dinis foi o introdutor de uma nova técnica romanesca. De formação literária inglesa, dedicou-se ao romance de costumes realista, dando grande atenção à descrição de ambientes e à psicologia das suas personagens. Simultaneamente, a sua obra reflecte um desejo de harmonia social, que conciliasse os valores burgueses, representantes de um novo espírito saído da revolução liberal, símbolo de prosperidade, e a velha aristocracia decadente. Defendendo uma visão optimista da natureza humana, não se encontram na sua obra personagens más. Muitos dos seus romances decorrem em ambiente rural, focando, frequentemente, os problemas sociais decorrentes da evolução social e do progresso, numa época de transição, sempre com um desenlace feliz e conciliador, didáctico, como o próprio autor pretendia. Num estilo leve e sóbrio, original na literatura de então, descreveu de forma ímpar quadros domésticos e rurais, de que os contos de Serões da Província (1870) são o melhor exemplo. Embora tenha escrito também poesia e peças de teatro, destacou-se sobretudo como romancista, tendo publicado Uma Família Inglesa (1868), As Pupilas do Senhor Reitor (1867), A Morgadinha dos Canaviais (1868) e Os Fidalgos da Casa Mourisca (1871). Foi ainda publicado um volume de Inéditos e Dispersos em 1910. O sucesso que desde cedo alcançou tem-se mantido ao longo dos tempos.