Dias, Carlos Malheiro (1875 - 1941)
Escritor, jornalista, político e historiador português. Estudou direito na Universidade de Coimbra, curso que não terminou. Foi eleito deputado em 1897, cargo renovado posteriormente e que abandonou em 1910, quando da Implantação da República. Foi também sócio da Academia das Ciências, da Academia Brasileira de Letras, membro fundador da Academia Portuguesa de História e director da revista Ilustração Portuguesa. Monárquico, a implantação da República em 1910 levou-o a exilar-se em 1913 no Brasil, onde já anteriormente vivera e publicara o seu romance de estreia A Mulata (1896). Da actividade que então desenvolveu, destacam-se a História da Colonização Portuguesa no Brasil (1921-1924), de que saíram três volumes, e a fundação da revista O Cruzeiro. Em 1935, tendo já regressado a Portugal, foi nomeado embaixador português em Espanha, cargo de que não chegou a tomar posse.
Como escritor, Malheiro Dias está ligado ao naturalismo, sendo considerado, na sua época, o continuador de Eça de Queirós. Escreveu romances históricos, dramas, contos e ensaios políticos. As suas crónicas jornalísticas, valiosas para o conhecimento da vida da capital na época, encontram-se reunidas nos três volumes de Cartas de Lisboa, que contêm igualmente textos de crítica política e histórica ao regime republicano. Escreveu Filhos das Ervas (1990), Os Teles de Albergaria (1901), Paixão de Maria do Céu (1902), O Grande Cagliostro (1905) e A Vencida (1907), para além de volumes sobre política e textos de conferências.