Cadaval, marquesa de (Olga di Robilant) (1900 - 1996)

Personalidade da vida musical, natural de Turim. Descendente de Frederico II e de Catarina, a Grande, passou a infância e a juventude entre Veneza, Florença, Viena, Berlim e Paris. Aos 14 anos, impressionada com os horrores da I Guerra Mundial, ofereceu-se como voluntária para a Cruz Vermelha, em Veneza. Durante o período da guerra conheceu, em França, António Álvares Pereira de Melo, marquês de Cadaval, cuja família, partidária do absolutismo, aí se havia exilado após a vitória dos liberais, e com quem veio a casar em 1926. Em 1929, o casal mudou-se para Portugal, fixando-se em Sintra e dedicando-se à reconstrução do património familiar.

A Quinta de Nossa Senhora da Piedade, residência da família, foi na época frequentada por algumas das mais notáveis figuras mundiais do meio artístico e musical. Após a sua viuvez, em 1939, Olga de Cadaval manteve a dedicação à música, promovendo a sua divulgação. Sucedeu a Viana da Motta na presidência da Sociedade de Concertos de Lisboa, trazendo a Portugal nomes como Pablo Casals e Arthur Rubinstein, apoiando jovens músicos e continuando a receber personalidades como Vitorino Nemésio, João de Freitas Branco, Amélia Rey Colaço, Ortega y Gasset, entre outras.

Afastando-se de envolvimentos políticos, manteve cordatas relações com o regime do Estado Novo, mas não deixou de trazer a sua casa músicos soviéticos, acordando com Salazar responsabilizar-se pela sua estada. Em 1967, abriu os jardins da Quinta da Piedade para um concerto ao ar livre, com obras do compositor português Fernando Lopes Graça, também ele personna non grata do regime vigente. Assim se inaugurou a tradição dos Concertos de Verão em Sintra, apenas interrompida, durante breves anos, após o 25 de Abril de 1974. Os concertos da Quinta da Piedade foram integrados no Festival de Música anualmente organizado pela Câmara de Sintra, iniciativa em que a marquesa do Cadaval participava.