Afonso IV, D. (o Bravo) (1291 - 1357)
Sétimo rei de Portugal, filho de D. Dinis e de D. Isabel de Aragão. Nasceu em Lisboa e casou a 12 de Setembro de 1309 com D. Beatriz de Castela, de quem teve sete filhos. Ainda infante, D. Afonso IV entrou em conflito com seu pai, devido aos favores e privilégios que este dava a seu filho bastardo, Afonso Sanches, e que D. Afonso temia que pusesse em perigo a sua posição como futuro herdeiro da coroa.
Em 1325 subiu ao trono, após a morte de seu pai, condenando imediatamente Afonso Sanches ao exílio, e confiscando todos os seus bens (o que levou aquele a invadir Portugal, saindo derrotado). A paz entre ambos veio a ser restabelecida, graças sobretudo à mediação de D. Isabel, sendo então também restituídos ao infante os seus bens patrimoniais.
Com Afonso XI de Castela teve D. Afonso IV um outro conflito, em resultado da forma desumana como Afonso XI tratava sua mulher, D. Maria (filha do soberano português), a que se acrescentou ainda o facto de D. Constança (esposa de D. Pedro, filho do soberano português) ter sido retida em Castela. Por estes motivos, D. Afonso IV declarou guerra ao rei castelhano, a qual durou quatro anos (1337-1340), assinando-se a paz entre Portugal e Castela a 10 de Julho de 1340.
Posteriormente, os dois reis combateram lado a lado contra os mouros, que desejavam recuperar o seu antigo poder na Península, na célebre batalha do Salado, travada a 30 de Outubro de 1340.
D. Afonso IV desenvolveu, simultaneamente, uma política interna destinada a restringir os gastos supérfluos da aristocracia (Pragmática de 1340), procurando também, através de leis como as de publicação dos testamentos e das sisas, reforçar a administração pública.
Reorganizou a Universidade de Coimbra, que transferiu para Lisboa. Foi no seu reinado que a marinha recebeu um grande impulso, realizando-se então a primeira viagem às Ilhas Canárias.
O final do seu reinado surge marcado por catástrofes várias, sendo a mais grave delas a peste negra, que provocaram uma enorme depressão económico-social no reino, deixando o país em completa desordem. Com o intuito de combater tal situação, D. Afonso IV promulgou, de imediato, uma série de leis (como foi a lei destinada a evitar a mendicidade), impondo normas para regular o trabalho e fixar as populações rurais aos campos.
É ainda no final do seu reinado que se assiste ao assassinato de D. Inês de Castro, amante de seu filho D. Pedro, o herdeiro da Coroa. Este acontecimento implicou uma guerra civil entre 1355 e 1356.
D. Afonso IV faleceu em Lisboa, a 28 de Maio de 1357, ficando sepultado na capela-mor da Sé.