Afonso III, D. (o Bolonhês) (1210 - 1279)
Quinto rei de Portugal, segundo filho de D. Afonso II e de D. Urraca de Castela. Nasceu em Coimbra, ausentando-se desde cedo para a corte francesa, à qual o ligavam laços familiares.
Na corte de Luís IX foi armado cavaleiro, aí casando também, em 1238, com D. Matilde, condessa de Bolonha. Esse casamento concedeu-lhe o título de conde soberano.
Acompanhou Luís IX, depois de ter sido armado seu vassalo, na batalha de Saintes (1243) contra Henrique III de Inglaterra, na qual se distinguiu pelos seus feitos de cavalaria.
A passagem pela corte francesa foi-lhe extremamente benéfica, possibilitando-lhe a aprendizagem dos assuntos do reino, e tornando-o um forte candidato à Coroa portuguesa, à qual regressou em inícios de 1246, adoptando o título de visitador, curador e defensor do reino. Em Lisboa, no ano de 1246, seu irmão D. Sancho II foi deposto, retirando-se para Toledo, onde viria a morrer em 1248.
Iniciou-se então o reinado de D. Afonso III, o Bolonhês, aclamado rei no ano de 1248.
O aspecto mais importante do seu reinado foi, sem dúvida, a conquista definitiva das cidades e castelos algarvios, ainda na posse dos mouros. Assim, em Março de 1249, conquistou Faro com a ajuda da Ordem Militar de Santiago, e, posteriormente, as praças de Albufeira, Silves e Porches.
O domínio algarvio era, contudo, alvo também do interesse do rei de Castela, Fernando III, o que provocou largas discórdias com o rei português, que só se viriam a resolver com o auxílio do papa Inocêncio IV que conseguiu restabelecer a paz, selada com o casamento de Afonso III com D. Beatriz (filha de Afonso X), em Chaves, no ano de 1253. O tratado de Badajoz (12 de Fevereiro de 1267) estabeleceu que o rio Guadiana, desde a sua confluência com o Caia até ao mar, constituiria a fronteira luso-castelhana.
Em 1254 D. Afonso III reuniu as cortes em Leiria, onde, pela primeira vez, os representantes dos concelhos participaram de modo efectivo, traduzindo esse acto uma clara tentativa de equilíbrio dos poderes sociais. Tal como seu pai fizera para defender o património da Coroa, Afonso III prosseguiu as confirmações e inquirições (1258) por todo o reino, numa clara tentativa de reprimir os abusos das classes privilegiadas, promulgando para tal toda uma série de leis, o que originou fortes reacções, sobretudo por parte do clero que se sentiu lesado nos seus interesses.
Em 1261 reuniu as cortes em Coimbra, onde lhe foi reconhecido o direito de quebrar moeda. D. Afonso III reestruturou a moeda, empenhando-se também na consolidação da administração, através da fundação de numerosas povoações e do repovoamento de outras.
Em 1279 morreu, não sem antes, e já no leito, se ter submetido à Santa Sé. Foi sepultado em Alcobaça.