Afonso VI, D. (o Vitorioso) (1643 - 1683)
Vigésimo segundo rei de Portugal. Nasceu em Lisboa, filho de D. João IV e de D. Luísa de Gusmão. Atacado em criança por febre maligna, ficou desde cedo hemiplégico e mentalmente incapaz.
Devido à morte de seu irmão, D. Teodósio, o herdeiro da Coroa, e, em 1656, de seu pai, D. João IV, Afonso VI subiu ao trono com apenas treze anos, ficando porém a regência do reino entregue a sua mãe. Uma conjura palaciana, liderada pelo conde de Castelo Melhor, D. Luís de Vasconcelos e Sousa, obrigou D. Luísa a afastar-se, tendo o governo sido entregue a D. Afonso VI, incapaz de desempenhar tal papel.
O conde de Castelo Melhor assumiu então o poder executivo, como escrivão da puridade. Deram-se nesse período grandes vitórias, como as de Ameixial, em 1663, a de Castelo Rodrigo, ainda no mesmo ano, e, finalmente, a de Montes Claros (1665), que permitiram salvar a independência de Portugal, ameaçada por Espanha, sendo a paz firmada entre os dois reinos a 13 de Dezembro de 1668.
Desejando assegurar a sucessão do rei, o conde de Castelo Melhor incumbiu o primeiro marquês de Sande de conseguir, para Afonso VI, a mão de D. Maria Francisca Isabel de Sabóia, filha do duque de Aumalle, o que foi conseguido, pois, a 24 de Fevereiro de 1666, a princesa casou por procuração, chegando a Portugal no ano seguinte. O casamento foi um fracasso e D. Maria Francisca ameaçou regressar a França.
D. Afonso VI prescindiu, entretanto, do apoio do conde de Castelo Melhor e, isolado e incapaz, acabou por renunciar ao trono, a favor de seu irmão, o príncipe D. Pedro. Este assumiu então os negócios de Estado e casou com a cunhada, após a anulação do casamento de D. Maria Francisca com D. Afonso.
D. Afonso VI morreu em Sintra a 12 de Setembro de 1683, após longo desterro em Angra do Heroísmo, tendo sido sepultado na igreja do mosteiro dos Jerónimos com grande circunstância.