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O império português pós-restauração -
25/11/2007, 17h26
A guerra da Restauração deixou o país sem recursos e mobilizou todos os esforços que se podiam despender na defesa das possessões ultramarinas, constantemente atacadas por ingleses e holandeses, competidores de Portugal no Atlântico e no Índico. No entanto, D. João IV não esqueceu o ultramar e tentou tudo para que os domínios portugueses em África, no Oriente e no Brasil continuassem fiéis a Portugal. Uma das suas primeiras atitudes foi a criação, em 1643, de um Conselho Ultramarino, cujas competências abrangiam não só as questões sobre o Oriente, mas também os Estados da Índia, o Brasil, a Guiné, S. Tomé e Cabo Verde. As principais preocupações de D. João IV estavam viradas para o Atlântico, onde se tornava necessário dar luta aos mercadores e corsários estrangeiros e tentar expulsar os holandeses de Pernambuco, Angola e S. Tomé, ocupados durante o domínio filipino.
À medida que as notícias da Restauração iam chegando aos vários territórios, as reacções iam surgindo. Na Guiné, nos Açores, na Madeira e em Cabo Verde parece não ter havido grande relutância em reconhecer a causa de D. João IV e a nova dinastia de Bragança. No norte de África, com as praças de Ceuta e Tânger, já assim não aconteceu. Ceuta perdeu-se definitivamente para Espanha, sendo ratificada a perda pelo tratado de 1668; Tânger só em 1643 expulsou os castelhanos e resolveu jurar a nova realeza, embora deixasse de pertencer aos domínios portugueses pelo tratado de paz feito com a Inglaterra, em 1661, aquando do casamento de D. Catarina de Bragança com Carlos II; em Angola e S. Tomé, o poder militar dos portugueses não conseguiu impedir a sua conquista pelos holandeses em 1641, embora em 1648 estes territórios fossem reconquistados, devido à acção de Salvador Correia de Sá e Benevides.
No Oriente, os ingleses e holandeses vinham-se apoderando dos principais pontos-chave do comércio oriental. Em 1622, os ingleses ajudaram os persas a conquistar Ormuz; em 1639-1641, os holandeses tomaram Ceilão e Malaca; em 1650, Mascate caiu em poder dos persas; em 1661, Bombaim foi cedida aos ingleses, como dote de D. Catarina; em 1664, perdeu-se Cochim para os holandeses. No Brasil, a Baía fora atacada em 1624, Pernambuco caíra em 1630 e, no ano a seguir à Restauração (1641), a Holanda conquistou Sergipe e Maranhão. Entretanto, a correlação de forças começou a alterar-se e o Portugal restaurado conseguiu, em 1653, reconquistar Pernambuco, e, no ano a seguir, expulsar definitivamente os holandeses do Brasil .
Mas a paz para o ultramar português não era ainda definitiva: as possessões na África, Oriente e Brasil foram sempre muito apetecidas pelas potências europeias, que não desistiam dos seus intentos de conquista. Em 1710, uma armada portuguesa lutou contra uma esquadra francesa pela posse do Rio de Janeiro; em 1730, os holandeses abandonaram a baía de Lourenço Marques; em 1739 e 1740, perderam-se as cidades de Baçaim e Chaul, na Índia, e, em 1769, foram abandonadas as praças de Azamor e Mazagão, em África.
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"La seule chose promise à l'échec est celle que l'on ne tente pas"
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