O golpe de estado de 1662 foi um golpe palaciano que pôs fim à regência de D. Luísa de Gusmão (rainha viúva de D. João IV) e deu início ao reinado de D. Afonso VI. A partir daqui, o governo foi marcado pela acção de um grupo de jovens nobres e ambiciosos, entre os quais se salientou o conde de Castelo Melhor, que o novo rei escolheria para primeiro-ministro. O país vivia uma época difícil e o conde desempenhou um papel muito importante na condução do governo e da guerra da Restauração. Outra das preocupações do conde de Castelo Melhor era garantir a governação de Afonso VI, uma vez que se sabia que os partidários de D. Pedro, irmão do rei, o queriam ver à frente dos destinos da nação. Para alcançar os seus objectivos, Castelo Melhor envolveu-se em várias negociações diplomáticas, entre elas a combinação do casamento do rei português com a princesa francesa D. Maria Francisca Isabel de Sabóia. Em 1667, Portugal estava apenas a um ano do termo da guerra da Restauração. O tratado de paz com a Espanha viria a ser assinado por D. Pedro II, que, entretanto, o golpe de Estado de 1667 elevara a regente do reino. Esta substituição foi justificada pelos apoiantes do novo rei porque D. Afonso VI, além de ser considerado incapaz de governar, não dava garantias de manter a independência de Portugal através de um herdeiro, pois dizia-se que era impotente, e foi obrigado a abdicar. Esteve preso no paço durante um ano; a seguir, foi desterrado para Angra do Heroísmo, de onde regressou em 1674, e depois foi encerrado no palácio de Sintra, onde veio a falecer, em 1683. D. Pedro, que em 1668 reunira cortes para confirmar a sua subida ao trono, demitiu o conde de Castelo Melhor, obrigou o secretário de Estado António de Sousa de Macedo a deixar o Paço, afastou da corte todos aqueles que se opunham à sua governação e casou com a rainha D. Maria Francisca de Sabóia, sua cunhada, depois de um processo atribulado de dissolução do casamento desta com Afonso VI.