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O convento de Mafra -
25/11/2007, 17h24
O convento de Mafra foi mandado construir por D. João V, em cumprimento de um voto que fizera pelo nascimento de um herdeiro ao trono, já que o rei estivera casado três anos sem nascerem descendentes. O convento de Mafra é também palácio real e basílica, e é considerado o maior conjunto arquitectónico de construção barroca em Portugal. Costuma ser comparado a S. Lourenço do Escorial, em Espanha, e acusa influências germânica, italiana e, principalmente, romana. A sua construção estaria também relacionada com a moda da época, sobretudo francesa, de as cortes possuírem lugares de lazer e repouso em contacto com a natureza.
Dos vários projectos mandados elaborar para a sua construção, D. João V escolheu o que lhe foi apresentado por Ludovice, um artista de origem alemã que tinha vivido em Itália. De início, os planos de construção ligados à parte conventual eram bastante mais modestos, destinando-se essa área apenas a treze frades, mas depois o monarca mandou fazer sucessivas ampliações, de forma a comportar trezentos. A primeira pedra do convento foi lançada em 17 de Novembro de 1717, e a sagração da basílica fez-se no dia do aniversário do monarca fundador, 22 de Novembro de 1730, no meio de uma grandiosa festa que durou oito dias.
Todo o conjunto arquitectónico de Mafra abrange cerca de 40 000 metros quadrados e tem de fachada 220 metros, «monumento maior que o reino»: é constituído por dois sectores rectangulares articulados entre si, sendo o da frente ocupado pelo palácio, igreja, dois claustros, refeitório, Sala dos Actos, Sala do Capítulo e a Capela do Campo Santo (capela funerária); do sector da retaguarda, fazem parte as cozinhas, os lavatórios, as celas, as oficinas e a biblioteca. A basílica, no centro da fachada principal, é ladeada por dois torreões; no interior, a planta é de cruz latina e a decoração predominante é em mármore polícromo (branco, rosa, azul, negro, cinza-escuro). A biblioteca é de construção posterior (1738-1802), e possui já elementos «rocaille». As estantes são enriquecidas com talha e o número de volumes ali existentes ronda os 30 000.
As obras do convento de Mafra exigiram a participação de dezenas de milhares de operários (cerca de 30 000 em 1729, para além de 7000 soldados para garantirem a ordem), e de mais de um milhar de bois para remover o entulho e fazer o transporte do que fosse necessário. Foram utilizados mármores e madeiras preciosas; os mármores eram provenientes de Pero Pinheiro, Alentejo e Itália (Carrara); as madeiras, vieram do Brasil e de Itália. Como elementos de decoração, foram necessárias obras de estatuária, alfaias litúrgicas, indumentárias religiosas, sinos (à volta de 114), e carrilhões, entre outros. Muitos desses artigos foram também importados de França, Itália, Holanda e Bélgica. Os carrilhões foram feitos em Antuérpia, e são considerados dos melhores do mundo. Também alguma da mão-de-obra que trabalhou em Mafra veio de fora, principalmente artistas franceses e italianos, embora também ali tivessem trabalhado alguns dos escultores e pintores portugueses mais ilustres da época, como foi o caso dos pintores Vieira Portuense e Domingos Sequeira.
Em Mafra foi criada, em 1753, a primeira Escola de Escultura que funcionou em Portugal. Foi fundada por Alexandre Giusti, escultor italiano que ali se fixou no início do governo de D. José I, e ali se formaram alguns escultores notáveis, como Machado de Castro.
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