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Le virtuel m'habite...
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Lisboa pombalina -
25/11/2007, 17h20
Foi a partir do terramoto de 1755 que o ministro de D. José I, o marquês de Pombal, começou a tornar-se famoso e a evidenciar-se como estadista. Tomou medidas rápidas, quer em relação aos mortos, quer em relação aos vivos. Mandou enterrar os mortos para evitar o contágio e o alastrar de epidemias. Em relação aos vivos, mandou tratar aqueles que estavam feridos e doentes. Foram levantados hospitais, cuidou-se do fornecimento e do preço dos bens de primeira necessidade, ordenou-se a repressão dos ladrões que saqueavam a cidade, e fez-se regressar aqueles habitantes que, em pânico, tinham fugido para os arredores. Para ajudar a impor a ordem, mandou marchar sobre a capital os regimentos de província.
A seguir à destruição, impunha-se a reconstrução, mas não uma reconstrução qualquer. Tudo iria obedecer a um plano organizado. Foi publicada uma lei que proibia os donos das casas de fazerem obras sem primeiro ser aprovado o plano global. As novas construções tinham que seguir o novo projecto, e quem o não fizesse dentro de um prazo de cinco anos, veria os seus terrenos serem vendidos a outrem. Houve casos em que as propriedades mudaram de mãos, passando geralmente da nobreza, com problemas financeiros, para burgueses endinheirados. A uma Lisboa ainda medieval sucedia uma cidade nova, caracterizada por uma nova concepção de urbanismo. O traçado das ruas e das praças e a estrutura dos prédios foram revolucionários para a época. A construção dos prédios obedeceu a um sistema anti-sísmico, constituído por uma gaiola de madeira que, no caso de futuros tremores de terra, permitia uma melhor resistência às derrocadas.
Lisboa reconstruída, designada como Lisboa pombalina, irá reflectir a concepção que o marquês tinha do poder. Uma praça central, ruas geométricas e rectilíneas, alçados todos iguais, ausência de palácios. A uniformização era rigorosa. A nova arquitectura estava ao serviço da nova sociedade mas, ao mesmo tempo que nivelava as classes sociais, também as hierarquizava. Se, por um lado, os prédios tinham de ser idênticos, por outro, os primeiros andares eram dedicados aos nobres e as mansardas ao povo. A praça principal identificava-se com o centro do país. Era ali que ficava situada a sede do governo. A estátua do rei ficava ao centro, e dos lados instalavam-se as secretarias de Estado e as lojas. O nome de Terreiro do Paço mudou para praça do Comércio, nome mais consentâneo com as ideias mercantilistas do marquês.
Este novo projecto da cidade, cuja data é de 12 de Junho de 1758, teve a colaboração de engenheiros e arquitectos como Eugénio dos Santos, Manuel da Maia e Carlos Mardel.
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