A situação económica do império
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Par défaut A situação económica do império - 25/11/2007, 16h57

Apesar de todas as crises e do declínio que após a Restauração parecia ser sem retorno, o império português e o comércio externo por ele gerado continuava a ser o sector mais dinâmico da economia nacional e o principal responsável pela criação de riqueza. Mas se até aos finais do século XVI a opção da Coroa fora pelo Oriente, a partir de meados do século XVII, com a reconquista da independência, dá-se a progressiva e definitiva atlantização. No Oriente, os vários tráficos - especiarias, drogas, madeiras, diamantes, pedras preciosas, panos, porcelanas, mobiliário - apesar de rendosos entraram em decadência.
Os dois ou três navios anualmente enviados, se eram poucos, ficaram ainda menos com a entrada em acção dos rivais ingleses e holandeses. Este comércio seria retomado antes do final do século XVIII com o marquês de Pombal. Entre 1784 e 1807 passariam a estar envolvidos entre oito a vinte navios na carreira anual do Índico, contra os antigos dois ou três. Mas tal manter-se-ia por pouco tempo.
Do Atlântico provinham, do lado africano, os escravos, e do lado brasileiro, o açúcar, o pau-brasil, o tabaco e, a partir de finais do século XVII, o ouro. Todo este comércio, quando foi alvo dos interesses da Coroa, havia muito que era explorado por particulares, que o desviavam para vários portos da metrópole em detrimento da hegemónica Lisboa.
Durante o governo de Pombal houve uma enorme aposta na conjugação de esforços económicos e institucionais entre a metrópole e as colónias. O sistema colonial português foi «nacionalizado», ou seja, deu-se a transferência do seu exercício e do seu controlo, bem como dos seus benefícios, para os nacionais, em detrimento dos estrangeiros. Para tal criaram-se as Companhias privilegiadas do Grão-Pará e Maranhão, em 1755, e de Pernambuco e Paraíba, em 1756.
Mas a situação favorável para Portugal também aqui não iria durar muito. As colónias dos outros países europeus já concorriam directamente com os produtos brasileiros, e a mineração do ouro, ao desviar recursos da agricultura, agravou ainda mais a situação. O ouro servia para pagar as importações, que eram entretanto cada vez mais, em especial de Inglaterra, depois do Tratado de Methuen, e não tardou muito para que o défice da balança comercial nos fosse especialmente desfavorável. O fim do ouro, a partir de meados do século XVIII, última tábua de salvação do domínio colonial e da economia portugueses, significava igualmente um dos princípios do fim do vasto império tal como fora até aí conhecido. O outro princípio do fim sucederia em 1808, com a chegada da corte ao Brasil e a abertura total dos portos brasileiros ao comércio com qualquer país.


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